Resenha doc.: A Ponte – Roberto T. Oliveira e João Wainer

A Ponte é um documentário brasileiro de 42 minutos, produzido em 2006, que visa questionar os problemas sociais dos bairros periféricos da zona sul de São Paulo e também promover a ONG Casa do Zezinho.

A Casa do Zezinho é uma instituição não governamental, localizada no Parque Santo Antônio, uma das regiões mais violentas da cidade de São Paulo.

Os principais entrevistados são: Dagmar Garroux (Tia Dag) – educadora e fundadora da Casa do Zezinho, Mano Brown – rapper, Floriano Pesaro – na época Secretário do Desenvolvimento Social, Ferrez – escritor, Saulo Garroux – educador e João Batista Cardoso – empresário.

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Educadora e fundadora da Casa do Zezinho.

O documentário começa questionando a ponte do Rio Pinheiros como um marco simbólico de segregação da região periférica de São Paulo com o outro lado elitizado na Avenida Luís Carlos Berrini.

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De acordo com Floriano Pesaro o poder público demorou muito tempo para chegar nos bairros periféricos da Zona Sul, pois as áreas invadidas são regiões de mananciais, portanto, não era conveniente ao Estado urbanizar o local.

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O preço disso foi muito alto, pois os bairros se tornaram lugares indignos e a população desumanizada, conforme é mostrado nas imagens do documentário.

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Linhas de ônibus, creches e escolas são recentes na região.

É nesse contexto, de miséria que surgiu a ONG Casa do Zezinho.

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Casa do Zezinho.

Em 1986, Tia Dag junto ao marido começaram a recolher crianças órfãs das ruas eram 12. Em 1994, estavam com 60 crianças.

Um dia a educadora levou todas ao Mc Donald’s e lá encontrou o empresário e dono do Moinho Santo Antônio – João Batista Cardoso, ele ofereceu ajuda para levar todos de volta à Casa.

Dessa forma, ele teve contato com o projeto da Tia Dag e resolveu falar com seus amigos empresários e financiar a ONG.

Em 2006, o local atendia 1.200 crianças;  elas têm acesso à 17 oficinas de arte, aulas de natação, esporte, orquestra, estudos de som, moda e costura, coral, inglês, espanhol, informática, acupuntura, fisioterapia, dentista, advocacia, além de frequentarem polos contra a violência.

Ademais, se algum adolescente e sua mãe tiverem interesse em abrir um negócio é oferecido um microcrédito pela ONG, além de treinamentos de administração e gerência.

Segundo João Batista Cardoso, cada criança custava em média R$100,00 (cem reais) por mês.

Nitidamente, há uma falta de vontade do poder público em oferecer uma vida adequada às crianças carentes, visto a quantidade de impostos que pagamos, que se transformam em receita para o Estado. Mas, falarei disso mais à frente.

 As falas de Tia Dag batem muito na tecla da falta de oportunidades, mas também o fato do jovem da periferia não conseguir vislumbrar uma vida melhor por falta de oportunidades.

Teve um aluno que disse que seu  sonho  era morrer de Nike. Ela sugeriu, que o sonho dele poderia ser se tornar o dono da Nike.

Gravidez ainda é um projeto de vida de muitas meninas. Uma das alunas entrevistadas disse que a mãe a proibia de frequentar a ONG, porque queria que ela se casasse logo e engravidasse para “não dar trabalho”.

Uma garota que entra nessa roda, quando chega aos 30 anos e toma consciência, já tem uns 4 ou 5 filhos; todos vivendo em condições terríveis.

As mães muito jovens acabam abandonando as crianças com a avó materna, que mal dá conta dela mesma.

Dentro das casas, não há porta no banheiro e nem nos quartos, então o ambiente se torna promíscuo, contribuindo para que o sexo se torne banal, um dos fatores apontados para o número alto de gravidez na adolescência.

Sem nenhuma condição de vida e com poucas esperanças os jovens morrem muito cedo, assassinados pela polícia ou por facções criminosas rivais.

O documentário sugere que a sociedade, como um todo, se responsabilize pela situação de extrema miséria dessa parte população.

O governo precisa ser cobrado para que ele tome ações a fim de erradicar a miséria nessas regiões. Como disse o empresário, são somente R$100,00 por criança, não parece algo impossível, certo? Então, por que essa situação persiste?

A quem interessa a perpetuação da miséria dessas pessoas?

Por que são poucas as políticas públicas a fim de conscientizar as jovens de que elas têm futuro, além de terem filhos? Ademais da corrupção do poder público, temos alguns fatores. 

Pobreza e violência dão lucros. São Paulo é a terceira maior cidade em consumo de carros blindados e segurança privada do mundo e não vivemos em nenhuma guerra civil declarada.

O tráfico de drogas, que tem seu dinheiro lavado por empresários e igrejas, são os mesmos que financiam os partidos políticos.

O narcotráfico se beneficia diretamente da miséria por motivos óbvios. Esses dias eu li uma reportagem, em que um traficante reclamava do bolsa-família, que retirava mão de obra do tráfico.

Pobreza também é máquina de votos. A cada dia aparecem mais messias, dizendo que vão construir creches, escolas, asfaltar ruas, mas pouco é feito. Nas eleições seguintes temos as mesmas promessas, perpetuando um ciclo. Sem falar na compra de votos.

Além disso, temos a criação de um enorme exército reserva composto por pessoas desesperadas, que aceitam ganhar qualquer migalha.

Os entrevistados citam, por exemplo, a felicidade de algumas crianças das favelas, porque ganharam um brinquedo quebrado do patrão de sua mãe. Também, outros que ficam felizes por receberem uma cesta básica.

A cesta básica é importante, sem dúvida. Mas, não pode ser só isso.

O ponto de partida é um trabalho educacional a fim de que outras opções de vida possam ser oferecidas para essa população, só assim terão autonomia e dignidade. 

 

 

Para conhecer a ONG Casa do Zezinho. 

https://www.casadozezinho.org.br/

 

 

 

 

 

 

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