Resenha filme: Foi apenas um sonho (Revolutionary Road) – Sam Mendes

Foi apenas um sonho é um filme baseado no livro de 1961, chamado Revolutionary Road de Richard Yates. O longa conta a história do casal Frank (Leonardo DiCaprio) e April (Kate Winslet).

April (Kate Winslet) e Frank (Leonardo DiCaprio) considerados um casal perfeito.

A narrativa acontece na década de 50, e apresenta uma crítica ao estilo de vida americano, conhecido como “american way of life”.

April é uma jovem mãe de 2 filhos e com uma carreira medíocre de atriz. No início, vemos uma apresentação dela em uma peça de teatro, que foi um fracasso. Conforme mostram as cenas seguintes ela deixou de gostar do marido há muito tempo. 

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April  é uma dona de casa infeliz, que luta contra uma existência triste e vazia. 

 

Frank é casado com April, e leva uma vida infeliz, apesar de se esforçar em aparentar felicidade. Ele odeia seu trabalho, mas continua lá para poder pagar contas.

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Essa cena demonstra uma sociedade, que vive como gado sem questionar nada, simplesmente seguindo os ditames da sociedade. São pessoas massificadas.

O casamento poderia ter sido questionado por eles há muito tempo. Porém, na época o divórcio não era comum.

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O escritório em que Frank trabalha é triste e claustrofóbico.

Eles tentam de tudo para manter as aparências e são considerados pelos outros como um casal exemplo de felicidade.

Frank e April permitem “invasões” de vizinhos, que chegam em horas inapropriadas para tomarem um café. Tudo em nome de uma pseudo amizade. 

Shep e Milly é um casal amigo dos protagonistas e também vivem uma vida de aparências.

No início percebemos que Shep é apaixonado por April, que demonstra atração sexual pelo amigo. Porém, tudo é muito discreto, pois todos estão empenhados em manter uma máscara social. 

Milly é o estereótipo da mulher perfeita, com uma voz fininha, que se coloca como ótima amiga e esposa, mas é uma pessoa reprimida. 

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Milly é o estereotipo da mulher, que tenta ser perfeita. No fundo ela sabe que o marido é apaixonado por April.

Em um dia April sugere a Frank, que a família se mude para Paris. A princípio ela trabalharia como secretária bilíngue e ele teria tempo para refletir sobre sua vida.

Nesse ínterim, surge o personagem  John, que tem transtornos psiquiátricos. 

John é a única pessoa verdadeira do filme. Ele fala as verdades e talvez, por isso, ele seja considerado louco.

Em um diálogo com April e Frank, John questiona se eles não estão mudando para Paris a fim de fugirem de uma vida triste e vazia.

Fica claro que o casal está buscando na França uma fuga do mal-estar decorrente de uma existência triste e sem propósitos.

O projeto de irem para Paris começa a ser questionado por Frank, quando April fica grávida do terceiro filho e ele recebe uma promoção.

Novamente entra em cena John falando as verdades, quando ele pergunta se a protagonista está se escondendo atrás da maternidade com medo de descobrir para o quê ela serve.

O casal fica em um impasse: Fazem um aborto e seguem para Paris, ou vivem uma vida infeliz no subúrbio americano? 

April e Frank levaram suas vidas como mandava os ditames sociais da época: casar, ter uma casa e filhos. No entanto, dentro deles  nada daquilo representava felicidade. 

Ao tentarem fazer uma revolução em suas vidas eles se depararam com um alto preço. Há uma cobrança interna e externa em relação àqueles, que ousam viver da forma como determina seus corações.

Até que ponto vale a pena viver de acordo com os ditames sociais para satisfazer aos outros?

O filme é excelente e apesar de ser ambientado na década de 50, traz ainda questionamentos importantes para a nossa realidade.

 

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6 comentários

  1. Essa adaptação ficou muito boa. Você leu o livro, já? Indico, é um dos meus favoritos. Curiosamente, o autor não queria tanto criticar “a sociedade”, mas contar uma história real, baseada em muito do que ele viu e viveu (nas palavras dele, uma história sobre desistência). Claro, os leitores e a crítica de imediato focaram no aspecto crítico da narrativa, principalmente pelo humor negro do narrador em certas partes. Resultado: todos queriam outro livro nesse estilo, mas ele escreveu uma história sobre a Segunda Guerra Mundial – no auge da Guerra do Vietnã -, decepcionando todo mundo. Esse filme reviveu a obra dele.
    Gosto muito de O Desfile de Páscoa, também. Os outros não foram traduzidos, mas Eleven Kinds of Loneliness é uma coleção de contos que não deve nada aos outros grandes contistas americanos.

    Curtido por 1 pessoa

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