Resenha filme: Requiem para um sonho – Darren Aronofsky

Requiem para um sonho é um filme, que em um primeiro momento entendemos, que trata basicamente sobre vícios.

Mas, a meu ver a obra trata da infelicidade como condição humana. O vício é uma tentativa inconsciente de resolver um buraco existencial.

Qualquer coisa pode se transformar em um vício, não somente as drogas ilícitas. Também podem se tornar vícios  programas de TV, açúcar, comidas, sexo, compras e até mesmo, reclamar da vida. Veremos adiante como Aronofsky abordou esse tema.

A obra tem 4 personagens principais e todos tem sonhos e vícios:

No início do filme, vemos Harry Goldfarb carregando a televisão para vende-la e com o dinheiro comprar heroína.

Sara Goldfarb, mãe de Harry, compra a tv de volta e percebemos, que não é a primeira vez que seu  filho faz isso.

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O grande sonho da personagem é participar de um programa de auditório, visto que ela é viciada nesses programas, além de açúcar e de se fazer de vítima para ganhar atenção do filho.

Marion Silver é namorada de Harry. O casal tem o sonho de abrir uma confecção de roupas. A jovem é viciada em cocaína.

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Tyrone Love é amigo de Harry e sua grande vontade é sair das ruas e dar orgulho à sua mãe. Ele é viciado em heroína.

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Sara Goldfarb passa o dia assistindo televisão. Percebemos que ela tem um vazio existencial, que foi potencializado pela morte do marido e a saída do filho de casa. Possivelmente, a personagem sofre da “síndrome do ninho vazio”, em que a pessoa se sente sem função social e entra em melancolia.

O programa, que ela assiste repetidamente é chato e reprisa a mesma frase o tempo inteiro:

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Sara se imaginava no programa de auditório.

“Temos aqui a fulana! Oh, oh, oh,oh,oh….” Não sai disso….

Um dia Sara recebe uma ligação de uma emissora de televisão convidando-a para participar desse programa.

Seu grande sonho estava prestes a se realizar. Ela passa a sonhar com esse momento.

No entanto, ela começa a se ver gorda e velha. Assim, ela coloca na cabeça, que precisa emagrecer para entrar em um vestido vermelho, que outrora tinha usado em uma festa de formatura de Harry no segundo grau.

Com esse objetivo ela vai ao médico e começa a tomar umas pílulas para emagrecer.

Seu regime se baseava em café sem açúcar, meia laranja e um lanche, que Sara comia vorazmente.

A personagem, devido aos remédios, começa a ter diversas alucinações, principalmente com a geladeira que a “ataca” constantemente. Sua vida se torna um verdadeiro inferno.

Enquanto isso, Harry e Tyrone resolvem ganhar dinheiro com o tráfico de drogas. Em um mundo permeado pela violência e por disputas territoriais entre traficantes, os dois jovens entram em situações terríveis.

Ambos são viciados em heroína e o dinheiro, que entra acaba servindo para sustentar o vício.

Marion Silver é viciada em cocaína e acaba, caindo em uma degradação tenebrosa. Para sustentar seu consumo ela acaba se prostituindo em troca de umas míseras quantias do produto.

As cenas em que a jovem se prostitui são extremamente desesperadoras e o final é bem chocante.

Requiem para um sonho é um filme que mostra o ser humano sem nenhuma redenção. A sociedade está condenada e não há nenhuma possibilidade de melhora, justamente, porque o vazio existencial e a falta de controle são inerentes a condição humana.

A personagem de Sara Goldfarb mostra para nós, que absolutamente qualquer coisa pode se tornar um vício. Mesmo tendo dependências lícitas, ela não ficou isenta de descer ao fundo do poço.

Para acompanharmos a mente de personagens viciados, Aronofsky optou por cortes rápidos e stop motion, além de repetir a mesma imagem de olhos dilatados e da metanfetamina, entrando em uma seringa. Isso é uma metáfora para a repetição do processo viciante.

Não tem como não fazermos paralelos com os programas da televisão aberta da década de 90, ao vermos o programa horrível, que Sara Goldfarb assistia.

Quem não se lembra da vergonha alheia do sushi erótico, da banheira do Gugu e as câmeras que só faltavam entrar dentro da Carla Perez?? E quantos se refugiaram naquilo, porque sabiam, que tinham que enfrentar um trabalho chato e opressivo na segunda-feira??

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Quem se lembra da porcaria do sushi erótico?

Requiem para um sonho é um dos melhores filmes, que já assisti. Ele mostra a decadência humana nua e crua e infelizmente, não podemos ignorar nosso poder autodestrutivo.

Por não sermos incentivados a termos uma criativa, mas somos condicionados a sermos simples consumidores desde pequenos, ficamos vulneráveis a todo o tipo de vício. 

Fica a dica para vocês de um filme sensacional.

trailer:

Palestra sobre o vazio existencial, com Leandro Karnal:

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6 comentários sobre “Resenha filme: Requiem para um sonho – Darren Aronofsky

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