Resenha filme: Dente Canino – Yorgos Lanthimos

Dente Canino conta a história de uma família bastante bizarra. Conforme a narrativa prossegue fica nítido a crítica à sociedades controladas pelo Estado, como os regimes ditatoriais.

A família é composta pelo pai, mãe, duas filhas e um filho, que são adolescentes entrando para a fase adulta. Nenhum deles tem nome.

Eles vivem em uma casa ampla e confortável, com um grande gramado e piscina. Todos praticam exercícios físicos.

O que parece normal se mostra bizarro. Ninguém tem autorização para sair de casa a não ser o pai. O casal dizia  aos filhos, que eles somente poderiam sair de casa, quando caísse os dois dentes caninos, que voltariam a nascer, ou seja, nunca.

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A casa era cercada, ninguém poderia sair.

Não há computadores, telefones ou qualquer tipo de acesso à internet. O aparelho de televisão e vídeo cassete (eles assistem fitas vhs) servem apenas para assistirem aos vídeos caseiros feitos pela família.

Os pais ensinam o significado errado das palavras, por exemplo, mar se torna poltrona.

Para satisfazer as necessidades sexuais do rapaz e evitar, que ele moleste as irmãs, o pai contrata a guarda da fábrica – Christina, para ter relações sexuais com seu filho. As cenas são feitas sem nenhum erotismo.

Os filhos não têm muitas noções a respeito do sexo. Quando Christina propõe a uma das filhas sexo oral em troca de uma tiara, ela executa com a mesma naturalidade, com que dança para os pais.

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As filhas com Christina.

Em uma cena, o pai diz que tocará o LP do avô das crianças – Frank Sinatra, a música “Come Fly With Me”, cuja a letra o genitor “traduz” para o grego, como uma ode à união da família.

Quando passa um avião em cima da casa da família, uma das filhas diz se cair é meu. Pois, eles acham que é uma miniatura.

Os filhos não sabem o que é um gato, quando aparece um no quintal da casa, eles morrem de medo. Os adolescentes contam ao pai sobre a aparição do animal. Então, o pai mente dizendo que gatos comem humanos, que vagam fora de casa.

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A diversão familiar.

Christina (guarda) em troca de sexo com uma das filhas, oferece duas fitas vhs e esses filmes produzirão alguns efeitos nos filhos.

Em uma cena, o pai vai comprar um cachorro adestrado. O longa mostra o animal sendo condicionado.

Essa parte me lembrou “os cachorros de Pavlov”. Ivan Pavlov era um célebre médico russo, que no início do século 20, treinou cachorros para procurarem comida, toda a vez que tocasse uma sineta. A ideia era provar, que também os humanos podem ser condicionados.

No livro “O Fim do Homem Soviético”, de Svetlana Alexsiévitch, a imagem do homem soviético como um ser condicionado em uma realidade produzida, aparece com frequência. Algumas das pessoas que viveram na União Soviética, entrevistadas pela autora, se autodenominam “gatos de apartamento”.

Imagina uma sociedade extremamente fechada, como a norte-coreana, em que ninguém entra ou sai sem autorização. A imprensa é controlada pelo Estado, bem como a vida íntima de todos. Guardadas as determinadas proporções se assemelham à família bizarra do filme.

Até a linguagem é controlada, se pararmos para pensar que na União Soviética as palavras senhor e senhora foram proibidas e substituídas por camarada, compreendemos mar que se tornou sofá no filme.

A direção de arte é bem comum, com enquadramentos centralizados, o que torna a história mais chocante. Pois, tudo é mostrado com uma extrema naturalidade.

Na minha opinião, a narrativa nos alerta dos perigos que envolvem um controle estatal e uma realidade extremamente fabricada. 

Fica a dica para vocês de um filme muito bom, que com certeza trará algumas reflexões importantes.

*Não assista perto de crianças!

 

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