Resenha filme: 1922 – Zak Hilditch (Contém spoilers)

1922 é um filme baseado no livro homônimo de Stephen King, cujo enredo perpassa pelo drama e terror com um fundo psicológico, ancorados na moral cristã protestante, que aparece de forma indireta.

Sem título

Thomas Jame como Wilfred. 

Wilfred James começa confessando ter assassinado sua esposa – Arlette, com a ajuda do filho Henry.

Sem título 1

Molly Parker como Arlette. 

A partir de flashbacks, vamos conhecendo a história, a partir do olhar do protagonista.

Wilfred era dono de uma porção de terras ao Sul dos Estados Unidos, seu sonho era se tornar um grande latifundiário. Para concretizar seu desejo, ele se casa com Arlette, cujo pai era um grande fazendeiro da região e ela a única herdeira.

Com a propriedade de sua esposa, Wilfred se torna proprietário de uma vasta extensão de terras. No entanto, em um dia de muito calor, Arlette comunica que quer morar na cidade.

Ela pretende vender a propriedade e abrir uma confecção de roupas no centro. O protagonista discorda e eles tem uma briga.

A partir disso, Arlette resolve se divorciar e vender as terras, que recebeu por herança.

Wilfred entra em desespero e começa a fazer a cabeça de Henry, contra sua mãe, convencendo-o de que ele se transformaria em um homem idiota da cidade.

Além disso, o protagonista incentiva seu filho a namorar com uma jovem filha de outro fazendeiro da região, fato que o tornaria mais rico.

Arlette não muda de ideia, mesmo com a insistência do marido e de Henry.

Em um dia, Wilfred diz ao filho que não tem como eles resolverem essa questão, por isso, sua esposa precisa morrer.

O adolescente hesita, mas acaba sendo convencido pelo pai a participar do assassinato.

Imagem relacionada

As cenas antes do assassinato são claras e bonitas. 

Wilfred pega o corpo de Arlette e joga dentro do poço, enquanto isso, Henry o ajuda a limpar o quarto sujo de sangue.

Quando o protagonista abre o poço, ele vê o corpo da esposa lotado de ratos.

Sem título2

A partir do assassinato as cenas começam a se tornar escuras e os ratos começam a fazer parte do ambiente. 

Para despistar a polícia, Wilfred cobre o poço com areia e mata uma vaca e a joga no local, como desculpa para ter colocado terra no buraco.

A partir daqui, pensamos como será que desenrolará a história? Na mente de Wilfred, ele resolveu o problema. Aí que nos enganamos, agora é que a narrativa começa para valer!

A casa começa a ser invadida por ratos, que se espalham por todos os lados e a luta contra eles é inútil.

Sem título11

Os ratos começam a invadir a casa, remetendo às pragas bíblicas. 

Apesar de ter uma explicação para o aparecimento dos ratos, as cenas lembram muito as pragas bíblicas. Wilfred começa a colher os frutos do seu crime.

 Nesse ínterim, Henry engravida a namorada, que é  mandada para uma casa, onde terá o bebê, que será enviado para adoção.

O rapaz começa a ser tomado por uma raiva imensa e foge de casa. Posteriormente, ficamos sabendo que ele está assaltando lojas no centro da cidade.

Enquanto isso, Wilfred passa a viver uma vida miserável e solitária em companhia apenas dos ratos.

Sem título4

Wilfred começa a entrar em decadência, levando uma vida miserável. As cenas passam a ser escuras e sombrias, assim como o destino do protagonista. 

O fantasma da sua esposa começa a aparecer. Em uma cena, muito bem construída, a porta começa a bater e vemos o espírito de Arlette, que persegue o marido com os ratos.

Sem título5

Uma das melhores cenas é a aparição do fantasma de Arlette. O cineasta utiliza como recurso o bater das portas e o barulho da madeira para criar mais suspense. 

Em um momento, Wilfred procurará o dinheiro da esposa, que ela poderia ter escondido e é mordido por um rato.

Sua mão começa a infeccionar, o protagonista tenta ir a um hospital, mas não consegue chegar por conta de uma nevasca.

A casa também está se deteriorando, tem frestas para todos os lados, que pinga água e neve; Wilfred enxerga sangue.

Quando ele consegue chegar ao hospital, não tem mais jeito, a mão precisa ser amputada.

Sem título8

Nessa cena vemos o crucifixo acima de Wilfred, indicando para nós, que as consequências  dos atos humanos fazem parte da Providência Divina. 

Com uma mente perturbada, sem dinheiro, com uma mão amputada e um filho na delinquência, Wilfred passa a viver uma vida horrorosa.

 As desgraças não terminam por aí. Em uma cena, o delegado chega na casa do protagonista e informa, que Henry e a namorada morreram.

Quando Wilfred chega para reconhecer o corpo do garoto, o rosto do menino havia sido comido pelos ratos.

Sem título7

Henry também é devorado por ratos. 

Toda a narrativa foi construída para tornar evidente, que todo o crime tem consequências.

Sem título9

A miséria e a decadência começam a permear a vida de Wilfred. Até o gado acaba morrendo. 

A ética e a moral protestante permeiam o inconsciente coletivo americano, por isso, ela aparece de maneira implícita em vários filmes.

Jean Calvino (teólogo protestante) considerava que a riqueza era uma das marcas da predestinação a salvação. No entanto, a fartura deveria ser acompanhada de ética, muito trabalho e disciplina.

Wilfred queria ficar rico as custas da esposa, não somente com o seu trabalho e disciplina. Não satisfeito, ainda cometeu um crime gravíssimo. Henry diz em uma cena: “Espero que Deus não exista.”

Não houve salvação para o protagonista, sua vida entrou em uma profunda decadência.

No final, ele tenta se redimir com o trabalho, pois o trabalho dignifica o homem e o redime diante de Deus, segundo a fé protestante. No entanto, sua vida já está corrompida demais.

Sem título13

Quando Wilfred trabalha, sua vida ganha um pouco de “luz”, as cenas ficam um pouco mais claras. 

Os questionamentos de uma riqueza conseguida com ganância, usura e crimes com consequências nefastas aparecem em vários filmes e livros norte-americanos. “O Lobo de Wall Street”, “Wall Street Poder e Cobiça” e “Advogado do Diabo” são alguns longas em que essa temática aparece.

Apesar de não abordar a ética protestante diretamente, a mensagem de 1922 é clara, toda ação tem consequências e a riqueza precisa ser conseguida pelo mérito pessoal.

Fica a dica para vocês de um filme muito bom!

 

Anúncios

12 comentários sobre “Resenha filme: 1922 – Zak Hilditch (Contém spoilers)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s