Resenha doc.: O Mercador (Sovdagari)  – Tamta Gabrichidze

O Mercador é um documentário da Netflix, que se passa no interior da Geórgia, onde o único elo da população camponesa com a cidade e seus produtos, se dá através de um comerciante.

A Geórgia é um país da Europa Oriental. No início do século XIX, foi anexada ao Império Russo. Em 1921, houve uma revolução comunista tornando-se República Socialista Soviética Geórgia. Com a queda da URSS, o país obteve sua independência.

Pelo que pude observar no documentário, a população rural vive basicamente da plantação de batatas.

O capitalismo e a tecnologia parecem que não chegaram lá, pois, praticamente toda a colheita é feita por pessoas.

colheita de batatas
É possível perceber a falta de mecanização no campo.

Em uma cena, um senhor que planta batatas, não sabia o preço do seu produto e parecia ter pouco interesse em vende-las.

O tempo parece que não passa, a cineasta faz questão de mostrar a lentidão em que tudo acontece.

tempo não passa
Tamta opta por poucos movimentos nas filmagens, para mostrar-nos o ritmo de vida na Geórgia. O tempo histórico é diferente do que vivemos nas grandes metrópoles.
Sem título
As roupas das crianças são as mesmas de um adulto. O documentário não mostra escolas ou crianças se dirigindo à elas.

Os produtos do mercador são trocados praticamente por batatas, ou seja, é uma população que ainda vive de escambo.

Sem título2
As mercadorias são trocadas por batatas.

Quando observamos as mercadorias, que estão sendo vendidas tomamos consciência da globalização, pois são os mesmos produtos que encontramos no Brasil. Como, por exemplo, esponja de lavar louça e echarpes.

Sem título 1
Mulheres comprando echarpes.

A realidade de uma criança de classe média brasileira é pautada por jogos de computadores e tablets, porém, na Geórgia as crianças ainda se encantam com bolinhas de sabão.

bolinhas
Crianças brincando com bolinhas de sabão.

A pressão que recai sobre as crianças ocidentais em geral de “um futuro prodigioso”, não faz parte da realidade das crianças georgianas, pois quando a cineasta pergunta o que um garoto quer ser quando crescer, ele hesita, a mãe responde atrás “jornalista”, mas o menino continua calado. Possivelmente, os questionamentos em relação ao futuro não fazem parte da realidade, as pessoas vivem o presente.

menino sem futuro
Percebemos que não há televisão na casa, mas somente um rádio que toca músicas georgianas. 

As casas apresentam falta de pintura e vidros quebrados. Na época da URSS o governo consertava as residências, com a queda do sistema, as moradias ficaram sem reformas. A população  não tem condições de fazer isso por conta própria.

Fica a dica para vocês de um documentário diferente e interessante, pois, vemos outras realidades e modos de vida.

Eu não encontrei o trailer, mas para quem se interessar o documentário está disponível na Netflix. 

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6 comentários

  1. Também fiquei sem fala como o menino que não soube responder o que seria no futuro. Isso é pela total negligencia em não terem nenhuma preocupação com o futuro das novas gerações. Ele e outras crianças, manuseiam cadernos e canetas do mercador, como qualquer outra mercadoria, foi quando percebi que não são alfabetizados, e assim a falta de perceptivas do que poderia ser.

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  2. Pra mim a pior parte foi a da senhora que queria uma coisa tão simples como um ralador e ele negou, eu sei que ele não pode dar os produtos de graça para todos, mas ela disse que era sozinha, não tinha ninguem e pela aparência é possível ver que ela não tinha muitas condições de trabalhar na plantação de batatas, logo não tinha como trocar o ralador por batatas. É a pior parte porque mostra a frieza do cara, a falta de amor que ele tem pelo seu próximo. No final ele vai vender as suas batatas e so consegue pensar que a venda foi ruim porque demorou dois dias para vender tudo ao invés de um. Até quando o capitalismo vai nos tornar frios dessa maneira?

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