Resenha livro: Seitas e Grupos Manipuladores: Aprenda a Identificá-los – Flávio Amaral

Identificar uma seita à primeira vista não é simples. Elas normalmente apresentam uma fachada comum e são frequentadas por pessoas do nosso cotidiano.

É importante salientar que as seitas não são somente religiosas, mas, podem ser também empresariais, políticas, filantrópicas, etc. Aqui eu darei mais foco nas religiosas, pois, são a maioria.

Acredito que devemos desmitificar o mal. Raramente, seremos atacados por indivíduos pertencentes à grupos satanistas ou neonazistas, associações em que o mal é muito evidente….. O mal tem uma aparência “normal”, dificilmente atípica.

Por exemplo, o “Maníaco do Parque” era um motoboy de aparência gentil, que andava de patins no Parque Ibirapuera aos fins de semana. Se ele fosse incomum não teria feito nenhuma vítima.

Da mesma forma, são as seitas. Elas são comuns, porém, extremamente nocivas.

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Templo do Povo (Igreja do líder Jim Jones). Aparência normal. 

Os grupos sectários seguem um mestre, ou alguns mestres. Eles não foram com o tempo sendo colocados por processos eletivos.

Não caracteriza seita, denominações onde os fiéis elegem o pastor ou líder. Ao contrário os grupos sectários  tudo é feito na base da revelação e da profecia. 

Nas seitas não há alternância de poder. O líder não precisa se reportar a ninguém e se for um lugar religioso, esse líder fala em nome de Deus, ou Deus “fala na boca dele”.

As pessoas manipuladas por esses líderes, embora sofra nesse local, protege a igreja com unhas e dentes. Quando alguém tenta alertá-los, eles normalmente dizem: Essa denominação foi revelada por Deus. 

O grupo alega para si mesmo um status especial em relação ao resto do mundo, embora, possa apresentar uma falsa modéstia aos visitantes para manter boas impressões.

As pessoas envolvidas com seita apresentam mudanças rápidas em sua personalidade, atitudes e discursos. De uma hora para outra, o membro se torna irreconhecível.

O autor compara as seitas com as drogas. Os narcóticos têm efeitos diferentes nas pessoas; alguns se viciam de cara, outros demoram e ainda tem pessoas que não se viciam.

“A seita lhe dará uma satisfação psicológica que, até então, você não experimentava em sua vida. É como o “barato da droga”, que tende a cativar aqueles que tenham mais dificuldades de aliviar suas angústias existências. ”

A seita pode ser extremamente prejudicial para uns e melhorar outrem.  

Por exemplo, uma pessoa que andava no crime quando entra na seita acaba largando o submundo. O rapaz desempregado encontra um emprego, indicado por alguém da seita.

As seitas podem fazer as pessoas largarem cigarros, drogas e álcool. As mudanças são aparentemente positivas e ajudam a legitimar o trabalho do grupo sectário.

O novo membro apresenta redução gradual do contato com o mundo fora da seita. Família e amigos são deixados de lado, pois, ninguém entende que “a pessoa foi escolhida a dedo por Deus para fazer parte daquela denominação”.

A pessoa pode começar a doar grandes somas de dinheiro, porém, isso não é regra. Com certeza seu tempo será dedicado ao grupo, essa será a maior doação.

As seitas tendem a padronizar a personalidade do indivíduo.

As roupas precisam ser de tal forma, pois assim Deus determinou. Não é necessariamente um uniforme obrigatório. Em grupos heterogêneos nossas referências são diversificadas. Na seita há um padrão a obedecer.

Imagem relacionada

Mórmons polígamos. 

 

Há também mudança no modo de falar. Palavras ou expressões cujo significado fora do grupo ninguém entende.  

As seitas oferecem respostas e caminhos. A busca da satisfação humana de harmonia, integridade e realização parecem muito próximas quando a pessoa ingressa em uma seita.

Ao mesmo tempo, mesmo pessoas maltratadas no lugar, tendem a continuar, pois, acreditam que o erro é delas e não da igreja.

As seitas não se interessam por indivíduos “fracos”, mas normalmente, por aqueles que tem algo para oferecer.

As pessoas têm que servir de marketing para o grupo sectário. Por exemplo: Bandidos regenerados, mendigos que ficaram ricos, ou, empresários e intelectuais.  

 “Se o discípulo se percebe incapaz de chama-lo para o grupo, ele tende a perder o interesse, deixando de investir em você, convencido de que não é o seu momento, esperançoso de que um dia este momento chegará. Enquanto, você não se “converte” os membros são generosos, atenciosos e afetuosos no trabalho de “recrutamento”.

Quanto mais autoritário o grupo, mais amorosas são as pessoas desse local. Durante o processo de conversão você será incrivelmente bajulado. A doutrinária sectária do lugar pouco importará no início para o novo fiel.

Ao visitar uma seita, com certeza você será bem recebido. Essa recepção não é falsa e a princípio ninguém tem a intenção de te manipular, mas, te salvar.

Diferente dos que muitos pensam, os membros que exercem funções dentro da seita, não recebem salário e se orgulham disso. Trabalham igual a burros de carga em troca de “recompensas do céu”.

Oficialmente, os líderes também não recebem grandes quantias, ou, por vezes não recebem nada. No entanto, os membros mais versados conseguem angariar dinheiro por outros meios, enquanto a grande massa fica esperando “Deus dar em troca”.

Se a seita for empresarial, a pessoa trabalhará muito e sua remuneração será sempre baixíssima. Por vezes, ela pagará para trabalhar, pois precisará “investir” em folders, materiais de campanha, livros, etc.

Quando se aproxima de uma seita, o indivíduo procura algo nobre. As seitas dão prescrições simples e esperança para grandes questões da vida, ao passo que o conhecimento aprofundado em questões espirituais torna nossa mente mais complexa, causando desconforto.

Qualquer pessoa pode ser vítima de uma seita, tanto pobres, quanto ricos, intelectuais e ou empresários. Todos podemos ser enganados.

O autor detalha ponto por ponto de uma maneira bem didática. Eu dei somente uma pincelada nas questões, que achei mais importantes.

Recomendo muito que vocês leiam esse livro. Pois, qualquer pessoa pode ser persuadida a entrar em um grupo sectário e ser levada a fazer coisas, que poderão se arrepender depois.

O autor escreveu uma frase, que serve para tudo em nossas vidas: “Não deixe seu cérebro em casa”. Questione tudo, confira se as pessoas estão dizendo a verdade. Não se iluda com aparências, elas podem esconder coisas que até Deus duvida.

Veja também:

Como eu me livrei de uma seita -NatGeo

https://juorosco.blog/2017/10/24/resenha-doc-como-eu-me-livrei-de-uma-seita-natgeo/

Vida e morte no Templo do Povo.

https://juorosco.blog/2017/12/07/resenha-doc-jonestown-vida-e-morte-no-templo-do-povo-stanley-nelson/

Alguns vídeos interessantes:

Vídeo do autor:

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3 comentários sobre “Resenha livro: Seitas e Grupos Manipuladores: Aprenda a Identificá-los – Flávio Amaral

  1. Adorei o post e a indicação de livro. Realmente esses manipuladores são lobos em pele de cordeiro, eles dizem que querem te “salvar” pra não dizer manipular.

    Acredito que isso se torna algo ainda mais grave quando eles envolvem pessoas que estão passando por algum tipo de sofrimentos psicológico ou possuem um transtorno mental, as famílias acabam desesperadas, pois quando percebem o problema está muito maior e ainda levam o dinheiro da pessoa junto com a manipulação.

    Parabéns pelo post!

    Bjs

    Curtido por 1 pessoa

  2. Somos induzidos a pensar, que seitas são aqueles pequenos nichos, que determinam comportamentos que parecem estarem fora da realidade global, quando a realidade global é uma imensa seita que cresceu e deu tons de normalidade comportamental. Vejamos : – A igreja católica, que mantêm cativos fieis seguidores e adoradores de imagens de barro e madeira, segue o mesmo padrão de manter cativo um rebanho, mesmo que a custa de uma cegueira generalizada, mas nunca é enquadrada como seita, por causa de seu tamanho e aceitação, as grandes redes de televisão, que manipulam e faturam com a audiência dos também cativos, os grandes clubes de futebol, alimentados diariamente pela mídia, outra forma de catividade, a indústria do cinema, da cultura em geral, hoje o Facebook, Youtube, os quase 3 bilhões de zumbis a viverem de cabeça baixa teclando um smartphone, as agências de publicidade a usarem recursos de lavagem cerebral para aumentar vendas de muita porcaria, todos estamos e somos cativos e temos pendores por alguma coisa, mas somos induzidos a somente ver um foco pequeno, porque assim desviamos a atenção do grande foco da qual fazemos parte intrinsecamente !

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