Resenha filme: Mil Vezes Boa Noite – Erik Poppe

O filme começa com uma mulher dentro de uma cova. Algumas muçulmanas estão em volta, fazendo uma oração. A mulher abre os olhos e levanta em direção à uma casa.

As orações continuam. A mulher que estava na cova, agora recebe um colete lotado de bombas. Ela é uma suicida e homicida – uma terrorista, portanto.

Mulher bomba 2
Preparação de uma mulher bomba. As cenas são angustiantes.

A cena toda é acompanhada por uma fotógrafa irlandesa, chamada Rebecca. Ela pede permissão para acompanhar a mulher bomba dentro do carro, que a conduzirá ao morticínio. Os covardes que arquitetaram a chacina dão permissão.

Sem título 1
Juliette Binoche como a fotógrafa Rebecca.

O carro para em uma blitz, alguma coisa acontece e explosão. Silêncio.

Rebecca caida
Silêncio.

Mil Vezes Boa Noite conta a história de uma fotógrafa de guerras, chamada Rebecca. Ela vive o conflito entre continuar trabalhando em zonas de guerra e correndo risco de morte ou largar a profissão em prol das filhas e do casamento.

Após a explosão, Rebecca acorda em um hospital com seu marido ao lado. Devido ao atentado ela sofre uma série de escoriações e fica com um pulmão perfurado.

Quando chega em casa, que fica em um lugar pacato na Irlanda, é recebida pelas duas filhas e um casal de amigos.

Seth, filha mais velha, vive em um grande sofrimento. Ela tem ideia dos riscos do trabalho da mãe e por isso, tem medo de perde-la.

O esposo vive em um eterno conflito, pois, não quer que Rebecca corra riscos, mas ao mesmo tempo, sabe que aquele é seu trabalho.

No entanto, ele dá um ultimato, ou ela fica com a família e larga a profissão, ou não terá mais as filhas sob sua responsabilidade e nem continuará casada.

Rebecca é uma mulher bem forte. Em uma conversa com Seth, ela diz que sente muita raiva. A protagonista quer que as pessoas ao abrirem os jornais engasguem com as fotos.

Seu objetivo é atingir àqueles que se preocupam mais com a “Paris Hilton do que com guerras”.

Contrução da personagem
A construção da personagem Rebecca é muito bem feita.

Um capítulo à parte é o trabalho sobre África, que Seth e as crianças da escola estão fazendo. Essa parte me incomodou, pois é o retrato do que eu vejo nas escolas brasileiras, quando trabalham esse continente.

Os adolescentes ensaiam uma dança, que a princípio é africana. Mas, de que país eles estão falando? Qual é a etnia? A África é grande e diversa. 

Posteriormente, uns alunos recitam alguns poemas de autores africanos (não citam o país e nem os autores) e Seth mostra algumas fotos chocantes feitas pela mãe.

Parece que a África é um bloco massificado, que se resume à guerras, fome e safári, o que não é verdade. O cineasta e o roteirista poderiam ter tido um cuidado melhor. Poderiam ter diversificado mais as zonas de guerra em que a personagem participa. 

Homens armados e safáris.
Representação da África como um bloco massificado. Nessa cena, Seth aparece falando do continente. Vemos a foto dos guerrilheiros atrás, ao lado um “tigre” e uma menina com uma blusa com estampa de oncinha. Pronto, “a África se resume a isso”.

Ainda recuperando sua saúde, Rebecca recebe uma proposta de fotografar refugiados de guerra no Quênia. Ela aceita e leva Seth, que a essa altura começou a se interessar pelo trabalho da mãe.

Enquanto, mãe e filha estão retratando os costumes daquela população, um grupo de guerrilheiros começa a atacar o acampamento. 

Rebecca não hesita. Coloca a filha em um local seguro e sai para fotografar o conflito, mesmo correndo risco de morte.

Representação da Africa
Novamente, a mesma representação do continente africano.

Na Irlanda seu marido descobre o ocorrido e pede que a fotógrafa faça uma escolha ou a família ou os riscos da profissão.

Rebecca escolhe.

A escolha não é simples, pois ser fotógrafa e cobrir o pior do ser humano faz parte da identidade da personagem.

O filme é bom em mostrar um conflito e os prós e contras de uma escolha difícil.

As cenas dos conflitos são muito bem-feitas e os atores excelentes!! As tomadas são emocionantes.

Apesar da representação do continente africano ter sido pobre, é um filme que tem seu mérito e vale a pena dar uma conferida.

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5 comentários

  1. O filme parece ter um bom roteiro. Obrigado pela dica.
    Essa questão sobre o ensino da África é bem interessante. Mostra como toda a história e a diversidade de um continente extremamente rico social e culturalmente está relegada a uma massa amorfa e genérica. É triste pensar que no Brasil também é assim.
    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

    1. É verdade, no Brasil, por ex, ensinam a influência do continente africano em nossa cultura e o que normalmente aparece? Cocada, azeite de dendê, algumas palavras e fim. Quando a África aparece em sala de aula é como se o continente fosse uma coisa só, sem diversidade. Os filmes só reforçam os esteriótipos. Mas, mesmo com esse problema o filme é bom. Abçs!!

      Curtido por 1 pessoa

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