Resenha filme: Juana la loca – Vicente Aranda

“Juana, traída sucessivamente por seu marido, seu pai e seu filho.

Encarcerada quase meio século na torre de um castelo.

Filha dos Reis Católicos de Espanha, esposa de Felipe de Habsburgos, mãe do Imperador Carlos V, rainha por direito legítimo dos reinos de Castela e Aragão.”

Juana, com 16 anos, foi destinada ao casamento com Felipe, o Belo, arquiduque de Habsburgos, filho do rei Maximiliano I de Habsburgos.

Em 1496, saiu uma esquadra espanhola com destino a Flandres (atual norte da Bélgica), levando Juana para casar-se. A narrativa mostra que os casamentos eram arranjados com fins políticos e a jovem sentiu-se insegura quanto ao seu futuro. 

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Pilar Lopez de Ayala como Juana.

Quando os noivos se conheceram, Juana instantaneamente se apaixona. No início, tudo ia muito bem, porém, a infanta desenvolveu ciúmes e obsessão pelo marido.

 

Ela chocava a corte com as quebras de protocolos e brigas com Felipe. Ao mesmo tempo, Juana era fértil, qualidade considerada importante na época, principalmente, para uma princesa.

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Juana desenvolve obsessão pelo marido.

O arquiduque era conhecido por ser um “mulherengo” sem cura e a jovem princesa se dedicava a persegui-lo e prejudicar as supostas amantes, normalmente, cortando seus cabelos.

Quando Isabel de Castela falece, quem assume automaticamente é Juana, que se muda com Felipe para a Espanha.

Os adversários da agora rainha de Castela perceberam nela “fraqueza” e começaram a conspirar para tomar-lhe o trono. Eles começam a chamá-la de louca.

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Juana é vítima de uma conspiração.

Na verdade, tudo fazia parte de um plano para que Felipe não se tornasse rei e a Espanha anexada a Flandres. Então, foi mais fácil condená-la como insana.

No entanto, o arquiduque também começou a conspirar contra a própria esposa, pois, viu nisso uma oportunidade de ascensão como único rei soberano. Ao mesmo tempo que seu pai – Fernando de Aragão também tramava contra a filha.

Como sabemos, Juana foi diagnosticada como louca e encerrada em uma prisão no Castelo de Tordesilhas.

O filme é tecnicamente muito bom, porém, achei que a narrativa focou demais na história amorosa de Juana e Felipe, deixando a parte política de lado.

O roteiro reproduziu o estereótipo da mulher maluca, que oprime o marido. No entanto, todos sabiam que ele era realmente infiel, chegando ao ponto de levar sua amante para a corte. Por isso, achei a obra mediana.

Também, a obra não abordou o fato de Juana ser uma mulher culta, que falava latim e francês fluentes e tinha uma biblioteca herdada da mãe com mais de 200 livros (muito para época). 

Juana foi uma pessoa que viveu em um período de transição do Feudalismo para o Renascimento, em um momento extremamente turbulento para a Espanha.

A questão religiosa, como sabemos era de um fanatismo extremo, com a instituição da Santa Inquisição e a perseguição de cristãos novos, hereges e mulheres consideradas bruxas. Infelizmente, o roteiro não faz nenhuma menção à respeito desses aspectos. 

O longa-metragem teve o mérito de representar um período distante e também de mostrar os costumes, roupas e habitações da época. Também, apresentou a situação dos mouros (poucas cenas), após as batalhas da Reconquista, quando Castela e Aragão expulsaram os muçulmanos, sendo Granada o último reino a cair.

 Vicente Aranda foi um cineasta barcelonês, nascido em 1926 e faleceu em 2015, em seu currículo tem dois filmes: Amantes (1991) e Juana la loca (2001).

 

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