Resenha série: La Casa de Papel – Alex Pina (segunda temporada)

A partir da segunda temporada ganhamos uma compreensão maior dos personagens, principalmente os ladrões e suas motivações para adentrarem ao crime.

É impressionante como todos, com exceção do Rio, são pessoas com vidas tristes e desestruturadas.

Começando com o Professor, cuja infância passou em uma cama de hospital. Seu pai assaltava para comprar remédios para o ele, tendo a ideia de assaltar a Casa da Moeda, morrendo sem conseguir concretiza-la.

La casa de papel - Profesor

Professor aparenta uma pessoa inofensiva. 

Acredito que todo mundo gostou do personagem do Professor e o via como uma vítima do sistema. Mas, nos esquecemos que por mais que o bando não estivesse “assaltando”, mas imprimindo dinheiro, os sequestradores estavam com reféns dentro da Casa da Moeda Espanhola.

Igualmente, em nossas vidas não existe uma linha muito clara entre mocinhos e bandidos, bons e maus, tudo pode variar de acordo com o contexto. Mesmo porque o líder é um idealista, não quer matar ninguém e nem roubar, somente imprimir o dinheiro.

O Professor tem uma aparência pacífica, é uma pessoa tímida, educada, inteligente e meticulosa. Isso faz com que todos nós tenhamos confiança nele e o tenhamos em alta conta. É impressionante como sua personalidade muda quando se transforma em Salva.

La casa de papel - Tokio e profesor

 No extremo oposto temos Berlim. Uma pessoa narcisista, que ninguém quer ter por perto, abusava da Ariadna, aterrorizava os reféns, mandou assassinar a Mônica e era inflexível com os outros assaltantes.

La casa de papel - Berlim

O problema é que, jamais o assalto teria a possibilidade de dar certo sem o Berlim. Ele era a pessoa de confiança do Professor, inteligentíssimo, conhecia todas as estratégias, tanto é que o Professor muitas vezes pede sua opinião. Por mais que nenhum dos assaltantes goste do Berlim, todo mundo precisou do seu pragmatismo e frieza. É duro constatar, mas a personalidade do Berlim se fez necessária.

La casa de papel - Ariadna

Eu gostei muito da inspetora Raquel Murillo. É impressionante como ela está cercada de gente horrível. Seu ex-marido a traiu com a professora da filha e também com sua irmã. Ainda por cima, a espancou e a assediou moralmente. Interessante salientar, que mesmo sendo policial, Raquel demorou para prestar queixa contra o ex-esposo, porque considerava a situação humilhante.

O coronel Prieto sempre tentava passar por cima das decisões de Raquel. Até mesmo o Professor, como negociador, a expunha com perguntas bestas: “Quando foi seu primeiro orgasmo”?  Ninguém a respeitava, somente seu amigo Angel. 

Me parece que a intuição de Raquel não funciona muito bem, pois, além de se apaixonar pelo Professor, ele sempre estava à frente dela. A personagem é a maior mostra de como age o machismo.

La casa de papel - Raquel

Tóquio é uma pessoa impulsiva, não segue regras e, por consequência, bate de frente com Berlim. É o tipo de pessoa que não aceita ficar por baixo em nenhuma situação. Apesar disso, é uma pessoa que se sai muito bem em enfrentamentos. Ela é uma das pessoas ali, que não tem nada a perder, além do seu relacionamento com Rio. Sua mãe morreu, além do seu namorado. Sua única família são os sequestradores.

Tokio

Denver é o tipo que nos engana pela aparência. Com um rosto grande e uma risada alta, com uma postura de bad boy. No entanto, ele impede a Monica de abortar, pois se importa com ela. Além disso, a maneira como ele cuida da moça demonstra muita sensibilidade e empatia. O norte é seu pai – Moscou, é nos valores passados por ele que o rapaz baseia suas ações.

Na segunda temporada fica claro, porque o rapaz desenvolveu essa personalidade.

La casa de papel - Denver

Nairóbi continua sendo a mais simpática dos sequestradores. Quando assume o comando dentro da Casa da Moeda (matriarcado), sua “gestão” é bem mais humana. Como os outros bandidos, a jovem tem um passado difícil, pois tem um filho, que nem a conhece. Aos poucos ela vai tomando consciência da realidade e isso lhe causa sofrimentos.

La casa de papel - Nairobi

Helsinki é sérvio e carrega o estigma dos eslavos, de se submeter inteiramente à figuras de autoridade. Nunca questiona as ordens de Berlim, por mais absurdas que possam parecer. É um tipo enorme, com uma metralhadora em mãos, colocando medo só com sua presença.

Helsinki - La casa de papel

Uma questão que é colocada na série é se Monica está com síndrome de Estocolmo e por isso, acredita-se apaixonada por Denver. Síndrome de Estocolmo é um estado psicológico em que uma pessoa sendo intimidada, desenvolve afeto por seu agressor. Eu fiquei em dúvida, pois, parecia que eles tinham um relacionamento real, diferente de Berlim e Ariadna.

Podemos perceber um certo romantismo por parte da narrativa ao retratar o assalto. O tempo inteiro a história nos faz questionar o certo e o errado e mexe com os nossos valores. Acho que esse fato tornou o roteiro brilhante. Todos nós torcemos para os assaltantes.

PHOTOCALL PREMIOS FEROZ 2018

Atores que trabalharam em La Casa de Papel. 

Trailer:

 

 

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6 comentários sobre “Resenha série: La Casa de Papel – Alex Pina (segunda temporada)

  1. Pingback: Resenha série: La Casa de Papel – Álex Pina (primeira temporada) | JuOrosco

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