Resenha livro: Dom Quixote – Miguel de Cervantes Saavedra (parte II)

Esta semana li o livro Dom Quixote até o capítulo 10, acredito que foi bastante produtivo. A obra é muito divertida e o espanhol, apesar de ser do século XVII, não é difícil de compreender.

Don_Quijote_and_Sancho_Panza

Dom Quixote e Sancho Panza por Gustave Doré.

O prólogo da obra é diferente. Cervantes critica indiretamente o pedantismo de autores como Lope de Vega e critica de maneira cômica a literatura de cavalaria, muito em voga no período. O autor tenta conquistar o leitor:

“Pero yo, que, aunque parezco padre, soy padrastro de Don Quijote, no quiero irme con la corriente del uso, ni suplicarte, casi con lágrimas en los ojos, como otros hacen, lector carísimo, que perdones o disimules las faltas que en este mi hijo vieres; pues ni eres su pariente ni su amigo, y tienes tu alma en tu cuerpo y tu libre albedrío como el más pintado…”

No primeiro capítulo, o narrador nos apresenta Dom Quixote, um senhor, chamado Alonso Quijana com 50 anos, que vive com uma ama, uma sobrinha e um rapaz.

Quijana passava dia e noite lendo livros de cavalaria, até que um dia ele decidiu transpor para a realidade o que ele lia.

A primeira coisa que ele fez foi limpar as armas e as armaduras do seu bisavô. Mudando seu estado, ele acreditou que deveria mudar também seu nome e se autodenominou – Dom Quixote.

Dom QUixote de la mancha

Representação de Dom Quixote.

Como cavaleiro, ele precisava de um cavalo e encontrou um pangaré maltratado e velho em um terreno baldio e lhe batizou de Rocinante, porque achou o nome sonoro e potente. O animal tem as rédeas soltas e faz o caminho que quer.

Don Quixote também precisava de uma musa. Havia em seu povoado uma camponesa por nome de Aldonza Lorenzo e assim ele a batizou de Dulcinéa del Toboso (Dulcinea vem de dulce – doce), esse nome lhe pareceu músico e significativo.

Em sua primeira saída parou em uma pousada, algumas prostitutas estavam na porta. Ele compreendeu que elas eram princesas. Elas lhe ofereceram uma sopa de um peixe ruim e um pedaço de pão mofado, o cavaleiro acreditou que estava comendo um manjar com peixe caro. 

Dom Quixote acreditou que estava em um castelo e que lá deveria armar-se cavaleiro (uma cerimônia que consagrava os homens cavaleiros para servirem a Cristo). O dono da pensão era um pícaro, ou seja, um assaltante de pouca valia; o protagonista acreditou tratar-se de um rei.

O pícaro e as prostitutas entraram na fantasia e fizeram a cerimônia em que Dom Quixote guardava as armas.

Alguns capítulos à frente Dom Quixote encontra um camponês vizinho de sua casa. O cavaleiro o persuadiu e prometeu, que o pobre decidiu ser seu escudeiro. Essa figura é Sancho Panza, que deixou mulher e filhos e decidiu seguir o protagonista.

Dom Quixote

Cena de filme – representação de Dom Quixote e Sancho Panza.

No capítulo VIII temos uma das cenas mais famosas da literatura, a luta de Dom Quixote com os moinhos de vento, que ele acredita serem gigantes:

“La ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acertáramos a desear, porque ves allí, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta, o pocos más, desaforados gigantes, con quien pienso hacer batalla y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer; que ésta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra.”

Eu não vou descrever mais que isso, pois é um capítulo tão memorável que mais parece uma pintura. Ficaria sem graça se eu descrevesse. 

don-quijote-1

Adentrando em a obra a primeira questão que me veio, foi se Dom Quixote seria uma pessoa “louca” ou um sonhador?

Eu li alguns artigos que chegaram a dizer, que talvez o protagonista sofresse de monomania, ou seja, possuía ideias obsessivas e fantasiosas, muito comum em cavaleiros que voltavam das Cruzadas.

Freud era um grande admirador de Cervantes e chegou a aprender espanhol para ler Dom Quixote. O que mais o fascinava eram os diálogos de Quixote e Sancho Panza. Para a psicanalista Carroll B. Johson, o protagonista tem desejos sexuais reprimidos pela sobrinha e para não cair em tentação idealiza Dulcineia.

Podemos entender que Dom Quixote e Sancho Panza representam a dualidade do pensamento ocidental: a razão (Sancho Panza) e a emoção (Dom Quixote). Visto que Sancho sempre avisa seu amo, de que ele está errado.

Sugiro o documentário abaixo, para compreendermos o panorama da obra:

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