Resenha doc.: A Peste Negra – TVE

“Morreram em pouco tempo algumas pessoas da alta sociedade e o maior número é de pobres”. A propósito da epidemia em 1599, na Espanha.

No começo do século XIV, as cidades europeias viviam um período de prosperidade, principalmente, em relação às trocas comerciais. Houve aumento populacional e, posteriormente, a fome, advinda de pestes nas plantações, fato que acarretou mais empobrecimento para os camponeses. 

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Representação de uma cidade medieval.

A Igreja exercia completo domínio sobre a sociedade. Poucos contestavam, por exemplo, o fato de sacerdotes andarem nas ruas com suas concubinas.

O Império Mongol estava chegando à Itália, depois de dominar praticamente toda a Europa Central e do Leste.

Nesse contexto, começou a surgir na Europa uma doença, que a matava as pessoas em 48 horas.

Da Ásia procedia os navios, que chegavam aos portos europeus, lotados de cadáveres, pessoas que haviam morrido de peste durante a viagem.

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Mapa mostrando a rota da peste negra.

Nesse ínterim, a população entrou em pânico, acreditando que as mortes eram consequência da ira divina e do cumprimento das profecias do Apocalipse.

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Parte da população acreditava que a peste negra era cumprimento do Apocalipse.

Conforme o exército mongol, que já estava sendo devastado pela peste negra atacava, mais europeus eram contaminados e mortos. Os mongóis pegavam os cadáveres e catapultavam nas cidades italianas, gerando uma guerra, que foi também biológica.

Ninguém sabia quais eram as causas da peste. Acreditavam que poderia ser transmitida pelo olhar dos doentes, pela saliva, ou qualquer contato físico.

 Os gatos, considerados pela Igreja animais de bruxas, foram assassinados gerando uma população enorme de ratos, que hospedavam as pulgas, principais transmissoras da bactéria da peste bubônica. Além disso, as cidades eram sujas e os esgotos jogados nas ruas.

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Representação da peste negra.

Tudo contribuía para a proliferação da doença.

Os sintomas da doença eram os bubões negros na pele, língua intumescida, sede ardente, febre intensa, calafrios, dores de cabeça e complicações pulmonares.

A insegurança começou a tomar conta da população, não somente pela peste em si, mas, também da desestruturação da sociedade.

As cidades se tornaram desertas e silenciosas, muitas residências ficaram desabitadas.

A morte se tornou tão certa, que as pessoas começaram a fazer orgias sexuais, pois não viam mais sentido em cumprir regras morais. Ao mesmo tempo, haviam enormes procissões com pessoas se martirizando e pedindo perdão a Deus.

Na Inglaterra, a peste negra trouxe o fim da servidão e acelerou o fim do sistema feudal. A população passou a desacreditar o poder da Igreja e dos nobres. Também, a falta de mão de obra possibilitou ao camponês negociar salários maiores ou irem para as cidades em busca de oportunidades.

Na França, a pobreza que já era grande tornou-se ainda pior, segue o relato contido em Le traité de la peste – César Morin, Paris, 1610:

“A penúria tornou-se tão extrema que já não se encontram víveres, mesmo com dinheiro. Desse modo, os pobres comem pão carcomido, rábanos e ervas de toda a espécie. ”

A peste se tornou para os sobreviventes um trauma psíquico profundo, as imagens são de um pesadelo:

“A confusão dos mortos, dos moribundos, do mal e dos gritos, os uivos, o pavor, a dor, as angústias, os medos, a crueldade, os roubos, os gestos de desespero, as lágrimas, os apelos, a pobreza, a miséria, a fome, a sede, a solidão, as prisões, as ameaças, os castigos, os lazaretos, os unguentos, as operações, os bubões, as suspeitas, os desfalecimentos. ” Testemunha da peste em 1630, Milão – Itália.

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Representação da peste negra.

A peste negra dizimou quase 50% da população europeia. Estudar a peste negra é essencial para combatermos as epidemias que podem surgir em nossos tempos.

Os relatos foram retirados do livro: DELUMEAU, Jean. A História do Medo no Ocidente. Companhia das Letras.

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