Resenha doc.: Adeus, Camaradas! – Andrei Nekrasov (Parte I)

“Morto. O comunismo estava morto. O ideal mais poderoso, depois do cristianismo. A morte foi banal anunciada em um programa de televisão. ”

O documentário de Andrei Nekrasov, documentarista russo, que foi assistente de Andrei Tarkóvski,  visa analisar o apogeu e a queda da União Soviética e do bloco comunista, entre os anos de 1975 e 1991.

A obra dividida em duas partes e problematiza as razões para a queda do regime comunista, além dos desdobramentos do socialismo soviético, após a morte de Stálin.

Brejnev

Brejnev governou a União Soviética após Kruchov.

Nada desse período pode ser esquecido: as execuções em massa, trabalhos forçados, stalinismo e os gulags.

Imagem de um gulag

Imagem de um gulag.

Matavam quem não queria ficar no “paraíso” dos trabalhadores e mentiam sobre tudo, inclusive sobre a catástrofe de Chernobyl.

Brejnev demonstrou-se ser um ditador talvez tão tirânico, quanto foi Stálin. O regime comunista dizia ter subido o nível de vida da população, porém, não tinha nem papel higiênico nas lojas.

Iuri Gagarin

Propaganda soviética com Iuri Gagarín.

Enquanto, a União Soviética mandava o primeiro homem para o espaço, a população padecia falta de produtos básicos.

Fila para comprar pão URSS

Fila para comprar pão em Moscou, década de 80.

Na Romência de Ceausescu (país do bloco soviético) a população fazia filas de madrugada na porta de um açougue. Para o presidente não ver a aglomeração de pessoas abriram um cabelereiro à frente.

Propaganda comunista coreia do norte.jpgA União Soviética só foi suplantada pela Coréia do Norte, onde ao que parece o controle era ainda maior.

O que mais me impressionou no documentário foi a utilização dos métodos da psiquiatria para “lavar” a mente dos dissidentes. Segundo uma testemunha, Mikhail Kukobaba (intelectual soviético) foi internado em um Hospital Psiquiátrico em 1976, por ter distribuído a Declaração dos Direitos Humanos a seus camaradas.

A maioria das pessoas não saíam vivas desses hospitais psiquiátricos e quando conseguiam estavam completamente fora de si.

Grupos musicais dissidentes, como o Plastic People era considerado lixo ocidental e por isso, combatido. O regime soviético acreditava que o objetivo desses grupos era destruir a família, inserir a homossexualidade e o uso de drogas com a finalidade de enfraquecer a população soviética e eliminar o espírito patriótico.

Hippies soviéticos

Hippies soviéticos no verão de 1969. Foto: Lev Nosov/RIA Novosti.

O governo propagava que essas ideias eram infiltradas pela CIA com claros objetivos políticos. Interessante observar, que no Brasil acusam a esquerda do mesmo objetivo. Eu já vi vídeos brasileiros com acusações à KGB de infiltrar uso de drogas e homossexualidade no Brasil.

Em ambos os casos, falta vontade em lidar com questões importantes de maneira responsável, apela-se para um inimigo imaginário. Essas pessoas não querem lidar com o diferente e nem com dissidências.

Na Tchecoslováquia a partir da década 50, foi crescendo uma oposição que acreditava que o sistema deveria “desestalinar-se”. Cada vez foi tornando-se mais difícil resistir à pressão para reformar a economia e introduzir um pouco de flexibilidade ao sistema soviético. A pressão foi sentida em todo mundo comunista.

Imagem da Primavera de Praga

Imagem da Primavera de Praga.

Os intelectuais tchecos ficavam espantados com a diferença entre a utopia que acreditavam versus a realidade.

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A Primavera de Praga estourou em 1968, coincidindo com a explosão geral do radicalismo estudantil. Regimes como a Polônia e a Alemanha Oriental recearam desestabilização interna com o exemplo tcheco. Tito na Iugoslávia e Nicolae Ceausescu começaram a se distanciar de Moscou.

Assim, os moscovitas decidiram derrubar o regime de Praga pela força militar, o bloco soviético manteve-se unido por mais 20 anos, mas mesmo os líderes dos Partidos Comunistas europeus começaram a perder a qualquer crença no que faziam.  

O sistema foi se corroendo aos poucos.

 

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