Resenha série: 13 Reason Why – Brian Yorkey (segunda temporada) contém spoilers

Na segunda temporada de 13 Reason Why vemos as consequências do suicídio de Hannah Baker. A família de Hannah processa a escola sobre a morte da jovem e todos vão a julgamento. 

A narrativa também trabalha e desenvolve a personagem Jessica e as consequências do estupro. 

Jess.png

Jessica é uma personagem que teve um grande crescimento na segunda temporada, mais madura, ela está sofrendo horrores e ainda precisa lidar com pessoas julgando-a o tempo todo, chamando-a de “vadia bêbada”.

Jess e o menino suicida.png
A melhor parte da série é a maneira que ela abordou o estupro sofrido por Jessica. 

Na primeira temporada, Clay aparece como um personagem com um forte senso de justiça. Conforme a trama vai evoluindo, ele aparece como uma pessoa completamente desequilibrada, porém isso, não o impede de ajudar Justin.

O rapaz está namorando uma jovem com tendências suicidas, porém, ele não consegue tirar Hannah da cabeça. 

A parte que eu menos gostei da série, é o fato do Clay tentar se tornar uma espécie de salvador da nova namorada. Parece que ficou sobre ele o peso de resgatar a jovem do seu tormento, como um alívio da culpa que sente pelo suicídio de Hannah. 

Uma pessoa com tendência suicida e depressão precisa de tratamento especializado com psiquiatra e psicólogo, ninguém tem a capacidade de salvar o outro de si mesmo.

Clay encontra-se nitidamente perturbado psicologicamente, e acredito com tendências esquizofrênicas, pois, ele vê o “fantasma” de Hannah o tempo todo, como uma projeção de sua própria consciência. 

Clay e Hannah

Hannah sempre presente acaba nos dando a sensação que a personagem ainda está viva, fato que não acho muito construtivo, pois cria-se a ideia de que a morte não foi o fim para ela (não entrarei em questões religiosas).

Clay and Hannah

Isso pode criar confusão na cabeça dos adolescentes, fazendo-os acreditar que o suicídio é uma opção, quando de fato não é.

Bryce continua sendo um astro dos esportes. Seus amigos têm verdadeira devoção por ele. Um deles, assim como Justin, vem de uma família desestruturada, em que o pai o espanca com um martelo.

13 why senso de pertencimento

Tudo que ele tem é a amizade com Bryce, o rapaz procurará vingança contra todos que, na sua opinião, querem prejudicar seu amigo.

Tyler é o personagem que desde o primeiro episódio, percebi que a história não ia acabar bem para ele.

Tyler

Sua personalidade é vingativa e ressentida, para completar, ele se aliou a um grupo que questionava o poder subjetivo dos atletas da escola e, também, procuravam vingança.

Tyler e esse grupo começam a fazer vários bullyings na tentativa de fazer justiça. Algo acontece e o rapaz vai para uma espécie de treinamento com viés militar e volta com a mente completamente lavada.

Ele volta extremamente submisso, dizendo frases feitas, como: “Me desculpe”, “não quis ofender”, seu comportamento está muito alterado. 

A vingança que ele se propõe a fazer sai extremamente caro. Seu melhor amigo o abandona, assim como o novo grupo. Em uma das piores cenas que já vi, Tyler é estuprado dentro do banheiro da escola.

Mas, nessa temporada o estupro masculino não foi trabalhado, provavelmente, será na terceira temporada. O estrago que o social fez na vida desse rapaz é indescritível, obviamente, isso terá consequência para o meio.

Justin foi uma criança, praticamente, abandonada pela mãe, usuária de drogas, e o pai que é inexistente. Ela vive um relacionamento abusivo com um traficante e o filho ficou abandonado.

Justin drogas.png

Desde pequeno andava sujo e faminto e era socorrido por Bryce, por quem desenvolveu uma enorme afeição.

A consequências disso são conhecidas por nós na primeira temporada. Na segunda, Justin é consumido pelo sentimento de culpa e se torna um mendigo e usuário de drogas.

A escola, como sempre,  é completamente negligente e despreparada para trabalhar com os alunos, a única preocupação é a nota dos alunos, além, das burocracias. 

O maior mérito dessa temporada foi nos mostrar as consequências das decisões individuais no coletivo. Uma família desestruturada tem consequências drásticas no todo. 

A narrativa não teve medo de abordar temas pesados, como estupro e suicídio, além das suas consequências na vida de todos ao redor. 

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