Resenha filme: Sob a pele do lobo – Samu Fuentes

“A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade era muito escassa…” Freud, O Mal-Estar na Civilização. 

Segundo Freud, as ilusões derivam dos desejos humanos. O ser humano tem o desejo de viver em um paraíso, vendo que isso é impossível em nossa sociedade, muitos passaram a romantizar a vida em meio à natureza.

Sob a pele do lobo é um filme que vai desmitificar essa visão fantasiada do homem, vivendo feliz em meio ao paraíso. 

Sob a pele do lobo 5

O homem é insignificante em meio à natureza.  A vida sem nenhum romantismo.

A civilização causa mal-estar por precisarmos reprimir alguns dos nossos instintos, mas isso não significa que viver na barbárie poderá trazer a felicidade, é isso que o filme irá mostrar. 

Martinón é o protagonista e vive sozinho em uma montanha inóspita no norte da Espanha, sem nenhuma tecnologia (apesar do filme passar no início do século, já existia tecnologia), água encanada e eletricidade.

Ele ganha sua vida caçando lobos e vendendo suas peles, uma vez ao ano, o personagem desce à um povoado para vende-las.

Martinón mal fala, sua linguagem é pouco desenvolvida, seus modos são rústicos e praticamente não vemos nenhum sentimento e reflexão da sua parte, a não ser raiva manifestada em alguns momentos. 

Sob a pele do lobo 1

A natureza massacra o homem, que some em meio dela. O lobo é a representação do nosso lado animal.

Em uma conversa com um cliente, o rapaz diz que precisa de um cachorro para dar alarme em caso de aparecimento de lobos e cobras. O interlocutor diz a Martinón, por que um cachorro e não uma mulher?

O protagonista faz um balanço e decide por uma esposa e assim, ele compra uma companheira.

Sob a pele do lobo 4

Segundo Sartre, “o inferno são os outros”.

Apesar de viver isolado em meio à natureza, onde o capitalismo não é desenvolvido, as relações no lugar são meramente utilitárias, uma das maiores críticas que fazemos ao sistema.

 O pai da jovem a vê como um produto, põe um preço e não hesita em vende-la.

A partir disso, o filme desenvolve a relação do casal e como as trocas humanas são feitas, diante do contexto em que eles vivem.

sob a pelo do lobo 2

Para narrar a história, o cineasta utilizou muitos recursos como barulho de água, pássaros e animais para enfatizar a solidão do personagem. Além de algumas músicas em tons dramáticos.

A narrativa enfatiza também o desamparo do homem, perante a natureza, mas principalmente a solidão diante do outro, sendo nosso maior desafio. O longa metragem faz jus ao que disse Sartre: “O inferno são os outros.”

A obra é um típico filme espanhol, ou seja, nenhum otimismo em relação ao ser humano, pelo contrário, ele mostra nossa pior face. 

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9 comentários sobre “Resenha filme: Sob a pele do lobo – Samu Fuentes

  1. Apesar da paisagem maravilhosa, achei que ficou faltando um quê… Mas, comentei por causa do final que me trouxe dúvidas. Pois, ainda que não tivesse interessado ao roteiro o desfecho da moça, o selvagem tem um momento de olhar duas vezes para urubus rodeando… Estaria ela morta? Teria ele deixado-a partir pois sabia que não chegaria ao destino? Fiquei na dúvida sobre isso. Obrigada pela resenha acima!!! nota 2,5 ao filme.

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  2. Melhor crítica que li sobre o filme. Gostei do filme e gostei do que você fala sobre ele estar mais solitário e triste com ela do que sem ela. A nossa solidão é mais acentuada e perceptível quando é refletida nos olhos de alguém. Outra coisa que gostei é que tive muito medo que romantizassem o abuso contra as mulheres, como é feito em quase todos os filmes desse tipo. Porém , o filme foi muito sincero . É bom ver um filme sincero pra variar .

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    • Olá Cristina é verdade, o filme não romantizou nada em nenhum momento, por isso, achei que ele dialogou com o Existencialismo e com a Psicanálise. As relações humanas e suas dificuldades foram apresentadas de maneira nua e crua. Obrigada por comentar, abçs!

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  3. Oies Ju! Mulher, adoro suas resenhas de filmes e você sabe né? Fiquei muito curiosa com a história por você relacionar com o “Mal-estar na civilização”, além do filme sair da hegemonia dos filmes norte-americanos. Já está na lista 😉 Obrigada pela indicação! 🙂 Bjos da Cah

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