Resenha livro: Em busca de sentido – Viktor E. Frankl

Viktor E. Frankl é o fundador da Logoterapia, chamada também de terceira escola vienense de psicoterapia (as duas primeiras são: Psicanálise de Freud e Psicologia Individual de Adler).

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Logos é uma palavra grega que significa sentido, ou seja, a Logoterapia, concentra-se no sentido da vida e na busca do indivíduo por esse sentido.

Viktor E. Frankl desenvolveu sua teoria, enquanto estava prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz na Polônia. Quando foi preso, o autor já era um neurologista, psiquiatra e psicólogo reconhecido.

A partir da sua própria experiência no Holocausto, o autor questiona: O que faz o ser humano querer encarar a vida como algo que vale a pena preservar? É isso que a obra se propõe a explicar.

No livro, Frankl descreve sua experiência no campo de concentração, porém, não foca nela, pois acredita que muitos já fizeram isso. No entanto, ele vai tirando de sua vivência a construção da Logoterapia.

O autor explica que o ser humano tem uma tendência a ser otimista em um primeiro momento.

A função de recepcionar os novos prisioneiros era do somderkommando, que eram os capos do campo, responsáveis pelos piores trabalhos, como mandar os prisioneiros às câmeras de gás e retirar os corpos, também, fiscalizavam os outros prisioneiros. Para isso recebiam as melhores comidas e cigarros.

Por se alimentarem melhor, tinham uma aparência até “boa”, assim, os novos prisioneiros não se assustavam com o que viam em um primeiro momento.

O autor descreve todo o processo, em que vestem o uniforme listrado, raspam os cabelos e o prisioneiro ganha uma tatuagem com um número.

Crianças libertadas em Auschwitz
Crianças libertadas em Auschwitz.

Tem um capítulo curto chamado: “O que me dói”:  Frankl diz que a dor dos golpes passa a deixá-los insensíveis, porém, o desprezo ainda é o que fere mais.

“O que me dói agora, apesar de tudo e a despeito da insensibilidade crescente, não é a perspectiva de alguma carraspana ou bordoada, e sim o fato de que para aquele guarda essa figura decrépita e esfarrapada, que só de longe lembra vagamente um ser humano, não merece sequer um insulto.” P. 39

Frankl fala a respeito da apatia e da irritabilidade, um sentimento de ser um mero joguete nas mãos dos outros. A luta contra a apatia e a decisão de não viver mais.

Para o autor, o ser humano vai muito além de determinantes e condicionamentos biológicos, psicológicos ou social.

A experiência no campo demonstrou que a pessoa pode agir fora do esquema. Mesmo em uma condição extrema, o ser humano tem um resquício de liberdade e de atitude livre, pois, via-se prisioneiros doando a última lasca de pão a outro que estava em condições piores.

O prisioneiro que não conseguia mais acreditar no futuro, estava perdido no campo de concentração. Quando o ser humano começa a sucumbir interiormente ele decai física e psiquicamente.

Soviéticos com prisioneiros de Auschwitz
Soviéticos com prisioneiros libertados em Auschwitz.

Mesmo diante do sofrimento extremo, a pessoa precisa entender que ela é única e exclusiva em todo o cosmo. Ninguém pode assumir dela o seu destino.

Em um campo de concentração, essas reflexões eram a única coisa que poderia ajudar, pois esses pensamentos impede o desespero.

Outro ponto importante, levantado por Frankl é sobre os guardas. Entre os prisioneiros haviam aqueles que não valiam nada e entre os guardas poderíamos encontrar atos de bondade. O escritor conta que várias vezes viu atos de misericórdia de nazistas, por incrível que possa nos parecer.

Para o autor, a busca do indivíduo por um sentido é a motivação primária em sua vida, e não uma “racionalização secundária” de impulsos instintivos. Para alguns psicólogos os valores não passam de mecanismos de defesa e sublimações. Frankl contesta afirmando, que ninguém estaria disposto a sobreviver de um campo de concentração para defender mecanismos de defesa.

Para nós pode soar estranho, o questionamento o autor. A pessoa escolher entre sobreviver em um campo ou simplesmente deixar-se morrer, parece que é óbvio a opção pela vida. Porém, nas condições do Holocausto, era um feito uma pessoa lutar pela vida, pois poucos ali tinha um porquê em continuar.

Imagina os traumas que uma pessoa precisou enfrentar ao sair dali. Frankl afirma que ninguém ficou feliz, quando Auschwitz foi libertado, pois sabiam que lidariam a vida inteira com lembranças terríveis e o sentimento de culpa por ter sobrevivido, enquanto, a maioria morreu.

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Segundo o autor, o indivíduo determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna, dentro do limite do ambiente, é decisão sua. Em Auschwitz alguns decidiram se tornar porcos, ao passo que outros agiram como santos. O ser humano tem dentro de si ambas as possibilidades.

“Ficamos conhecendo o ser humano como talvez nenhuma geração humana antes de nós. O que é, então, um ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é.”

Esse livro é fenomenal, pois o autor vai nos mostrando como e de quais pressupostos, ele partiu para compor a Logoterapia. Toda a obra discute o a liberdade espiritual e as escolhas que o ser humano faz, em condições extremas como os campos de concentração nazistas.

Para quem quiser compreender detalhes do funcionamento dos campos de concentração, sugiro os livros abaixo:

https://juorosco.blog/2018/01/27/resenha-livro-e-isto-um-homem-primo-levi/

https://juorosco.blog/2017/04/14/resenha-livro-a-historia-de-eva-como-a-meia-irma-de-anne-frank-sobreviveu-ao-holocausto-eva-schloss-com-evelyn-julia/

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