Resenha filme: Tesnota (Closeness) – Kantemir Balagov

O filme passa em 1998, no Cáucaso, Rússia. A protagonista é Ilana, uma jovem de família judaica, que trabalha na mecânica do pai, consertando carros.

À noite, está acontecendo a festa de noivado de seu irmão, David. Em um momento, a moça sai para namorar com um rapaz checheno. Nesse ínterim, David e sua noiva, Léa são sequestrados, por uma gangue local.

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O ambiente é bastante claustrofóbico, refletindo a vida das pessoas. 

O drama será conseguir dinheiro para pagar o resgate. A comunidade judaica aceita fornecer o dinheiro somente para Léa, pois, a família de Ilana nunca havia ajudado ninguém. 

Dentro desse contexto, o pai decide vender a mecânica para conseguir dinheiro, dessa maneira a família teria que ir embora da cidade.

Ilana se revolta, porque não quer deixar o namorado checheno e seguir os seus pais.

Assim, ela sai de casa e vai usar drogas com o rapaz, por quem está apaixonada.

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Em 1991, a Chechênia declarou-se independente da Rússia. Após a queda da U.R.S.S. a região, que tem maioria muçulmana e vínculos com a Al-Qaeda, entrou em guerra com o recém Estado russo. Em 1996, os chechenos quase conseguiram a independência, em 1999, o Primeiro-Ministro Vladmir Putin mandou várias tropas, iniciando uma operação antiterrorista.

O cineasta opta para mostrar uma cena em que um jovem soldado russo é torturado pelos chechenos e outras muito pesadas. Nesse momento, o grupo que está na casa começa a criticar os armênios, judeus, etc. Ilana se ofende e um pequeno conflito se inicia.

As cenas são difíceis de acompanhar, visto que, no cinema muitas pessoas foram embora nessa parte do filme

O rapaz sequestrado é “esquecido” nesses momentos, pois o foco é a mente da protagonista, que quer ficar no Cáucaso de qualquer maneira.

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A trama continua e questiona o amor materno, os sacrifícios que muitas vezes temos que fazer em prol do outro. Será possível que nós pessoas comuns amemos pessoas como a Ilana? O amor parental é um mito e uma obrigatoriedade? Essas são algumas perguntas implícitas no filme.

Esse é um tipo de filme difícil de gostarmos, devido à protagonista, uma anti-heroína típica e as cenas de extrema violência não contribuem para que apreciemos a obra.

Apesar da narrativa complicada e de cenas extremamente sangrentas, o filme tem a edição e fotografia excelentes. Além de mostrar de forma crua um período tão conturbado e triste, como foi pós queda da União Soviética, o que o torna interessante. Quem quiser mais informações sobre esse período dá uma olhada na resenha do livro: “Fim do Homem Soviético” da Svetlana Aleksiévitch.

https://juorosco.blog/2018/02/15/resenha-livro-o-fim-do-homem-sovietico-svetlana-aleksievitch/

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