Resenha filme: Gun City – Daniel de la Torre

Barcelona, 1921.

A cidade está tomada por uma greve geral, anarquistas tomam as ruas e pregam uma revolução armada. Os operários trabalham 10 horas por dia em condições precárias, nem as crianças são poupadas. As mulheres pedem equiparação salarial com os homens. Meninas que nem chegaram à puberdade são exploradas pelos pais e por cafetões na prostituição. A polícia é corrupta e o Estado é fraco. O caos toma conta das ruas. A extrema direita já enxergou de longe a tão sonhada oportunidade de um golpe de Estado.

Gun city - luta de rua
A barbárie tomou conta da cidade, um grupo luta contra o outro e todos contra a polícia. A população sai as ruas armadas com paus e facas para bater, ninguém se entende no meio do caos.

O filme começa com um carregamento de armas do exército espanhol, sendo assaltado, elas vão parar nas mãos dos anarquistas, mas ninguém sabe quem foram os responsáveis pelo assalto.

Aníbal é o protagonista, um policial vindo de Madri. Há um mistério, não sabemos quem de fato ele é. 

Sara é também protagonista, filha de um líder anarquista. Seu pai não quer uma revolução armada, pois teme a extrema-direita e a consequente perda da democracia. Porém, sua filha não acredita em nenhuma resolução sem ser o conflito, depois que sua melhor amiga foi assassinada pela polícia.

Gun City - anarquista
Sara acredita na Revolução armada como solução para os problemas da população.

O filme trabalha com personagens tipos, eles não têm muita complexidade psicológica, pois a narrativa pretendeu nos mostrar os vários conflitos que culminaram na guerra civil espanhola.

Gun City - greve 3

O país está um barril de pólvoras, com as armas em punho, a esquerda começou a fazer atentados, na tentativa de desmoralizar o governo democrático.

Gun City - Greve II.png
Os enquadramentos são tradicionais e a reconstituição histórica é ótima.

A polícia não hesita em torturar e matar, quem quer que seja. Por exemplo, torturaram e mataram o maquinista do trem, que carregava os armamentos roubados, sendo que ele era simplesmente um trabalhador sem nenhum envolvimento com nenhum grupo armado.

Gun City
A polícia é corrupta, tortura e mata a esmo.

A corrupção corre solta, os policiais vivem de propinas e subornos, aceitando principalmente dinheiro dos cabarés de prostituição.

Os grupos armados não cedem e a polícia continua com seus métodos inescrupulosos.

Gun City - atraco.png
Sara parte para assalto a banco para financiar uma revolução.

Em 13 de setembro de 1923, o Capitão General Primo de Rivera deu um golpe de Estado, com o apoio da maioria das unidades militares, da burguesia catalã e dos terra tenentes andaluzes.

Não é spoiler para ninguém que em 1936, estoura uma guerra civil na Espanha. A esquerda composta por republicanos, comunistas e anarquistas estava fragmentada, enquanto a extrema-direita se concentrou em torno da figura de Francisco Franco, com o apoio da Alemanha nazista. A Espanha amargou 37 anos de ditadura.

Através do filme ficou bem claro a falta de estratégia dos grupos que lutavam contra o governo. Muitos foram adeptos do “pior melhor” e do poder a qualquer custo, isto acabou jogando a Espanha no colo da extrema-direita.  

O filme cumpriu o que pretendeu, nos explicou a complexidade da Espanha pré guerra civil. Uma narrativa bem feita, que nos leva a reflexões inclusive de nossa realidade política no Brasil. 

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