Resenha filme: O Quarto de Jack – Lenny Abrahamson

“Ficamos conhecendo o ser humano como talvez nenhuma geração humana antes de nós. O que é, então, um ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é.”  VIKTOR E. FRANKL

Imagina uma mãe e um filho vivendo em um cubículo de 30 metros quadrados, sem poderem sair para nada. Essa é a base da narrativa de “O Quarto de Jack.”

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Jacob Tremblay como Jack, Brie Larson como Joy (mãe). A história é narrada a partir do olhar de Jack. 

Eles são prisioneiros de um homem, chamado por Jack de Velho Nick. Para sobreviverem ao inferno, a mãe protege o menino que ainda não compreende a realidade, pois aquilo é a única vida que ele conhece.

Por exemplo, Jack não entende que há um mundo fora, pois, a mãe explica que tudo o que existe além do quarto é irreal, assim, como os desenhos que ele assiste em uma televisão pequena, dentro do cubículo.

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Nessa cena, a câmera nos mostra o tamanho do quarto, nos dando uma sensação sufocante. É impressionante a resiliência da personagem. Velho Nick dominou o corpo, mas não a alma de Joy. 

Joy é estuprada praticamente todos os dias pelo Velho Nick e para que seu filho não sofra, ela o esconde dentro de um guarda-roupas.

Assim, a vida de Jack se resume em assistir desenhos, correr nos 30 metros quadrados e fazer “esculturas” com cascas de ovos.

A câmera sempre nos mostra a pequenez daquele mundo, resumido em um cubículo. A ideia de que duas pessoas possam viver naquelas condições é completamente apavorante.

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A iluminação  azul confere a sensação de tristeza e frieza. Além de claustrofóbico o quarto é sempre frio. 

Joy começa a perceber que o filho está crescendo e já tem condições de entender algumas coisas, então, ela bola um plano para retirá-lo de lá.

Essa parte me deixou muito ansiosa, se eles conseguiriam ou não sair do inferno. A partir daqui deixo com vocês!

O filme é baseado no livro homônimo da autora irlandesa Emma Donoghve, que em uma entrevista disse: “Fui atraída pela ideia de uma criança emergindo no mundo moderno, tendo crescido sem qualquer contato com o exterior.”

Velho Nick
O Velho Nick além das torturas físicas, também torturava psicologicamente. 

A narrativa não é baseada em fatos, mas foi inspirada em dois casos: Natascha Kampusch, que passou dez anos em um porão em Viena, e os 24 anos de cativeiro vividos por Elisabeth Fritzl, prisioneira de seu próprio pai.

O relacionamento entre mãe e filho me lembrou bastante “A Vida é Bela” de Roberto Benegnini, em que um pai com um menino pequeno são levados para um campo de concentração e lá o personagem Guido pinta um mundo completamente diferente para não traumatizar o filho.

Quem ainda não assistiu “O Quarto de Jack” fica a dica de uma história muito interessante de amor filial e resiliência.

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Josef Fritzl: A História de um Monstro: https://juorosco.blog/2017/08/20/resenha-filme-josef-fritzl-a-historia-de-um-monstro-david-notman-watt/

Caso Natascha Kampusch: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/story/2006/08/060824_austriarefemaw.shtml

Caso de romena encontrada com filha após 10 anos presa em porão choca Itália: https://www.bbc.com/portuguese/geral-42179373

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