Resenha doc. Os fantasmas de Ruanda – Greg Barker

Ruanda é um país localizado na região dos Grandes Lagos da África centro-oriental, foi colônia da Bélgica, até 1963, quando conquistou sua independência.

O país é composto por duas etnias: a maioria hutu e a minoria tutsi. Os colonizadores fomentaram uma rivalidade entre os dois grupos, para facilitar a dominação.

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Foto de belgas, no território onde viria a ser Ruanda. Os colonizadores fomentaram a rivalidade entre hutus e tutsis. 

Praticamente toda a economia ruandesa está baseada na cultura do café, em 1990 houve uma grande queda no preço do produto, gerando uma imensa crise econômica.

Em 1959, os hutus derrubaram a monarquia tutsi e milhares de tutsis fugiram para países vizinhos, dentre eles Uganda. Um grupo tutsis formou uma liga rebelde –  a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), que invadiu Ruanda em 1990, e lutou  até o acordo de paz em 1993.

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Juvénal Habyarimana presidente hutu assassinado em atentado de avião. 

Em 1994, o presidente ruandês, que era hutu, foi morto em um atentado de avião, ninguém sabe até hoje a autoria do atentado.

O tenente-general Roméo Dallare, que chefiava as forças de paz da ONU, avisou diretamente Kofi Anan (na época presidente da ONU), de que os hutus pretendiam realizar um massacre contra os tutsis, porém ninguém acreditou na história.

Bill Clinton, presidente norte-americano a época, disse lamentar demais que pessoas como ele presas em um escritório não tenham a dimensão do todo. Hoje se arrepende de não ter feito uma intervenção militar.

Muitos soldados americanos haviam sido mortos anos antes na Somália, então, os Estados Unidos procuraram não intervir em conflitos no continente africano.

A missão de paz contava com apenas 2500 militares, em um país, onde a infraestrutura era pouco conhecida.

Com a morte do presidente, os hutus deram início a matança que haviam planejado há muito tempo.

Mais de 500 mil pessoas foram massacradas entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 e todas as mulheres foram estupradas.

Criança chorando em Ruanda
Calcula-se de mais de 500 mil pessoas da etnia tutsi foram brutalmente assassinadas. 

Greg Barker deu voz para sobreviventes, algozes, alto e baixo escalão das forças das Nações Unidas, embaixadores e militares.

Segundo Gnosso Alex, responsável pela distribuição de comida para os tutsis sobreviventes, os hutus viviam embriagados e quando terminavam de beber saíam para assassinar, munidos com AK-47 e até mesmo com facões.

Um dos algozes entrevistados disse acreditar que estava possuído por satã, pois simplesmente não raciocinava o que estava fazendo. Não soube explicar nada além disso. Os hutus eram incitados pelas milícias a assassinar a maior quantidade de tutsis possível e para desumaniza-los, tratava-os pelo nome de “as baratas”. 

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Paul Rusesabagina é da etnia hutu, gerente de um hotel salvou vários  tutsis da morte escondendo-os dentro do hotel. 

O genocídio teve seu fim, quando a Frente Patriótica Ruandesa derrotou os hutus e tomou conta do governo do país.

Esse terrível capítulo da história da humanidade demonstra a ineficácia de órgãos como a ONU em proteger todas as pessoas ameaçadas. Também, potências como os Estados Unidos e os países da Europa pouco compreenderam a situação em Ruanda.

Não podemos esquecer que as armas Ak-47 não apareceram nas mãos dos hutus sozinhas, elas foram vendidas, não sei se diretamente, ou por meio do tráfico, pela Rússia (esse fato não foi abordado no documentário).

Também, a herança do processo de colonização europeia deixou rastros de sangue e miséria.

Sobretudo, a responsabilidade é dos hutus, que apesar de todo esse cenário apresentado, escolheram puxar o gatilho contra os tutsis.

As análises que amenizam as atitudes dos hutus e elevam em demasia a responsabilidade dos Estados Unidos e da ONU tratando-os como tutores dos povos africanos, no fundo compreendem os ruandeses como “pouco civilizados”, portanto, irresponsáveis por seus atos. 

Se isentarmos os hutus, devemos isentar na mesma linha os turco-otomanos pelo genocídio armênio, os nazistas pelo Holocausto e os sérvios pelo genocídio albanês, algo que seria um absurdo.

Acredito que o documentário não chegou a isentar os hutus, mas os analisou muito pouco. Faltou uma referência maior à manipulação no discurso feita pelas milícias e uma análise do porquê e como a população comprou tais falas. Eu gostaria que essa parte tivesse sido mais detalhada.

O documentário tem 2 horas de duração, mostra imagens reais e, por isso, é bem pesado e muito triste e angustiante. Aviso que o documentário pode gerar alguns gatilhos. 

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