Resenha livro: A Noite – Elie Wiesel

“O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença”. Elie Wiesel

O livro de hoje é autobiográfico e versa sobre uma experiência terrível de quem vivenciou o inferno na Terra. Elie Wiesel sobreviveu ao Holocausto e nos contou sobre ele.

Por mais que eu estude sobre esse tema e ache que conheço algo a respeito, aos poucos descubro que não, a Shoá foi muito pior do que as informações que chegaram até nós. Lembramos que as formas de representações são limitadas, Primo Levi por exemplo, disse que muitas vezes não encontrou palavras para descrever o que viu.

Elie Wiesel era um adolescente judeu romeno tinha uma vida tranquila, em que além de estudar as matérias normais, aprendia hebraico e procurava estudar a Cabala.

Signet em 1944
Elie Wiesel morava na cidade de Sighet, Transylvania, Romênia. No período nazista a cidade ficou sob jurisdição da Hungria. Quando Eichmann chegou à Romênia e à Hungria sua meta inicial era assassinar 600 mil judeus.

Um dia seu pai encontrou um rabino cabalista, chamado Mochê Bedel que poderia ensinar-lhe. Tempos depois, o líder religioso desapareceu, pois os nazistas resolveram primeiro aprisionar os judeus estrangeiros, os levaram embora em um vagão de gado.

Passaram-se dias, semanas e meses, até que Mochê retornou à Romênia. Ele contou sua história: A Gestapo os levaram até uma floresta, os fizeram cavar grandes valas, depois que terminaram seu trabalho, sem paixão ou pressa, abateram os prisioneiros um a um. Por um milagre o rabino conseguiu se salvar, pois acharam que ele estava morto.

Todos os dias, Mochê ia de casa em casa judia e contava os horrores que presenciou. Ninguém acreditou, a história era louca demais, possivelmente o homem havia pirado.

A população judaica não tinha muita noção da realidade, visto que a mídia era controlada e censurada, nem quando o primeiro gueto foi cercado, as pessoas se deram conta do perigo que corriam.

“A opinião geral era a de que ficaríamos no gueto até o fim da guerra, até a chegada do Exército Vermelho. Depois, tudo voltaria a ser como antes. Quem reinava no gueto não era nem o alemão, nem o judeu: era a ilusão.”

Até que um dia a ilusão se dissipou e todos os judeus do gueto foram levados para Auschwitz.

No campo de extermínio, Elie viu o terror em ver sua mãe e suas irmãs separadas dele e do seu pai, sem saber o que aconteceria com elas.

Por sorte, ele conseguiu ficar junto com seu pai e ser destacado para o trabalho, ao invés de ir para a câmera de gás.

Posteriormente, eles foram deslocados para o campo de concentração de Buchenwald na Alemanha.

Buchenwald
Sobreviventes do campo de extermínio de Buchenwald.

Era um lugar um pouco melhor, do que Auschwitz, pelo menos ali, Elie e seu pai encontrariam Kapos mais humanos, porém, esses não duravam muito, logo eram substituídos por outro mais perverso.

Uma passagem bastante triste, é quando três prisioneiros são condenados a morte por enforcamento, as circunstâncias foram tão chocantes que os prisioneiros começaram a questionar onde estava Deus.

“Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:

– E então, onde está Deus?

E senti em mim uma voz que lhe respondia:

– Onde ele está? Ei-lo – está aqui, nesta forca.”

Com o final da guerra, os campos de extermínio começaram a serem desativados, o que aconteceu com Buchenwald.

Buchenwald 2
Campo de concentração de Buchenwald.

Para isso, a SS destacou os prisioneiros que tinham condições de andar para se deslocarem a pé para outros campos, o que ficou conhecido como marcha da morte.

As pessoas corriam à noite por mais de 70 km, debaixo da neve, sob ameaça de metralhadoras, quem ficava para trás era abatido sem dó nem piedade.

O pai de Elie já não tinha tantas condições físicas, mas ainda assim permanecia firme, pois queria sobreviver.

elie

Do começo ao fim do livro vemos a barbárie tomando conta, no entanto, a marcha da morte foi realmente algo muito chocante. Também, o relato do deslocamento pelo trem, que não tinha cobertura, em que as pessoas jogavam pedaços de pães e os prisioneiros esfomeados se estapeavam para conseguir uma migalha.

Deixarei os detalhes desse relato para vocês conhecerem, vale muitíssimo a pena ler.

Em 2 de julho de 2016, Elie Wiesel faleceu aos 87 anos. Em 1986, o autor ganhou um Prêmio Nobel devido aos vários livros que escreveu sobre o Holocausto.

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https://www.hmd.org.uk/resource/elie-wiesel-hmd-2017/

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4 comentários

  1. Esses relatos em ‘primeira pessoa’ sobre o holocausto sempre me trazem um misto de sentimentos. Imaginar que aquele que escreve passou por momentos inenarráveis é impressionante. Principalmente pensar o que ele teve que passar novamente no momento de reviver lembranças tão trágicas, rememorar nomes e locais que, possivelmente, ele julgou um dia esquecer para evitar novos sofrimentos.
    Em todos esse relatos eu sempre lembro de um documentário que dizia que o diretor de Auschwitz tinha residência fixa no campo onde ele vivia com a esposa e suas filhas, com quem mantinha uma relação afetuosa e paterna …. afetuosa e paterna ao mesmo tempo em que mandava centenas de seres humanos para a câmara de gás.
    Obrigado por trazer mais um livro sobre o tema.
    Abraço.

    Curtido por 2 pessoas

    • Olá Gabriel, é verdade, se para nós ler tudo isso que aconteceu é terrível, imagina para quem vivenciou. Realmente, é muito chocante sabermos que o diretor de Auschwitz tinha uma residência ali e levava uma vida normal no meio da extrema barbárie. Obrigada pelo seu comentário! Abraços!

      Curtido por 2 pessoas

  2. Ótima resenha vou procurar o livro,Juliane sabe aquele documentário sobre a juventude hitlerista que você comentou no blog ? está com restrição de conteúdo no youtube acredita ? achei o documentário excelente,contexto apenas histórico e está longe de fazer apologia.qualquer assunto sobre o nacional socialismo vira polemica,que absurdo né ? Até as marchas militares alemãs e o Hino Alemão sofrem com restrição de conteúdo,ai já passou do limite !

    Curtido por 1 pessoa

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