Resenha doc.: A Vida pela Notícia – Hermán Zin

“Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.” Jean Paul Sartre

A vida pela notícia versa sobre as consequências na vida dos jornalistas espanhóis que vivem cobrindo guerras e conflitos.

O documentário é feito a partir de testemunhos e imagens nos levando a compreender a complexidade de trabalhos, que muitas vezes não imaginamos como são feitos e os riscos de morte que as pessoas dedicadas a nos trazer as notícias correm.

Também a obra nos mostra como fica o psicológico de pessoas, cuja vida é dedicada por anos a testemunhar o pior do ser humano.

Testemunho de jornalista com depressão após passar 8 anos no Afegasnistão
Jornalista nos conta sobre a depressão que desenvolveu após cobrir a guera no Afeganistão por 8 anos.

Praticamente todos disseram que quando voltam para a Espanha sofrem de depressão, síndrome do pânico e stress pós-traumático. Além disso, poucos conseguem manter a família e a solidão aparece em praticamente todos os relatos.

O documentário mostra os jornalistas arriscando a vida em vários conflitos: Afeganistão, Iraque, Síria, Faixa de Gaza, Libéria, Serra Leoa e na guerra da Bósnia. Em todos os casos, eles não sabiam se voltariam para a casa.

Trem sérvios limpeza étnica
Albaneses sendo deportados pelos sérvios, que já começavam a realizar um genocídio. A imagem foi feita pelo jornalista espanhol Miguel Gil, posteriormente assassinado quando cobria um conflito em Serra Leoa.

Na guerra no Afeganistão e Síria é comum o sequestro de jornalistas, alguns ficaram presos por um longo período, sendo torturados, mas tiveram a sorte de serem libertados, outros infelizmente foram assassinados.

Jornalista americano
Jornalista americano assassinado na Síria pelo Estado Islâmico.

Encontramos o desrespeito à profissão de jornalista, às vezes dos dois lados do conflito, por exemplo, no Iraque, simplesmente um tanque americano atira em um hotel, onde todos sabiam que estava hospedada toda a imprensa internacional. Nesse momento faleceu um jornalista da Reuters.

Jornalistas da Reuters.png
Jornalista da Reuters atingindo por um tanque no Hotel, onde estava toda a imprensa internacional.

 

Me chocou muitíssimo, além dos jornalistas assassinados, uma periodista que foi estuprada por dias no Egito. O preço das notícias é realmente impagável.

Esse documentário me lembrou os casos brasileiros, como o do jornalista Tim Lopes assassinado por um traficante, por fazer uma matéria sobre o tráfico de drogas e prostituição nos bailes funks.

Tim Lopes
Jornalista brasileiro assassinado no exercício da profissão, enquanto cobria uma notícia de tráfico de drogas e prostituição em bailes funks no  Rio de Janeiro.

Segundo relato do Ministério Público, de 1995 a 2014, foram assassinados 64 jornalistas brasileiros no exercício da profissão, fora as constantes ameaças de morte, que muitos recebem.

Herman Zin

O cineasta Herman Zin é correspondente de guerra, escritor e diretor de origem argentina e italiana vive em Madri. Após sofrer um acidente quando cobria a guerra do Afeganistão em 2012, ele desenvolveu o projeto desse documentário para entrevistar seus colegas de profissão.

Fica a dica para vocês de um documentário para refletirmos sobre os riscos da profissão de jornalista.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/05/07/ameacas-e-assassinatos-de-jornalistas-radialistas-e-blogueiros-aumentam-30percent-no-brasil-em-2018-diz-organizacao.ghtml

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