Resenha filme: Um dia de fúria – Joel Schumacher

“Um dia de fúria” é um thriller, com um toque de humor negro, de 1993, que se passa em Los Angeles. A narrativa traz alguns temas importantes para refletirmos, apesar de estarmos em 2019, a história ainda é atual.

Bill é o protagonista, um homem de mais ou menos 40 e poucos anos, vê sua vida desmoronar quando ele perde o emprego e sua esposa pede o divórcio.

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Michael Douglas como Bill, um homem ressentido com as injustiças em sua vida. Os óculos quebrados são um símbolo da sua personalidade fragmentada.

O personagem encarna o tipo do homem, branco, pobre e ressentido, que se sente rebaixado em sua em sua dignidade.

 “O ressentimento, seja individual ou coletivo, nasce de uma humilhação, ou de um trauma, que pode ser ocasionado pela extração social, pela fraqueza física também, de maneira geral por um complexo de inferioridade.” Marc Ferro. In: “O Ressentimento na História”.

O contraponto a Bill é feito pelo personagem do detetive Prendergast, que está em seu último dia de trabalho, pois irá se aposentar. Ele é o único policial que presta atenção, quando as informações dos feitos do protagonista chegam à delegacia.

Com uma vida difícil, casado com uma mulher depressiva e obsessiva e ainda perde uma filha pequena, Prendergast abriu mão de policiar as ruas para fazer trabalhos burocráticos. No entanto, ele não desenvolve ressentimentos em relação ao seu destino.

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Quando as denuncias dos feitos de Bill começam a chegar a delegacia, com exceção de Prendergast, nenhum policial acredita que um homem branco de terno e gravata está tendo comportamentos violentos.

Bill vê as injustiças sociais dos Estados Unidos, em uma cena, ele aparece com um sapato furado, antes já o vimos em um carro antigo que ele abandona no trânsito infernal.

Também vemos junto com o protagonista placas de pessoas falando que são descartáveis, gente pedindo emprego em troca de comida e assim por diante.

Um dia de furia 2
Na cena do táxi nos transmite a claustrofobia do personagem.

O protagonista não consegue compreender a dinâmica do sistema capitalista, que é cíclico e complexo, dessa maneira, ele responsabiliza e se vinga dos imigrantes: o coreano, que não sabe falar inglês direito e ainda vende os produtos com valores exorbitantes, os latinos que fazem gangues nos bairros e o proíbe de entrar em um território, que ele considera seu.

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Nessa cena, Bill é atacado por dois latinos que pertencem à uma gangue. Vemos uma luz dura e azulada, demonstrando o estado de espírito de Bill.

Posteriormente, vemos um nazista não à toa se identificar com Bill, no entanto, como disse o protagonista: “Eu sou americano, acredito na liberdade.” Essa frase é o cerne do personagem, ele é um americano que acredita na democracia liberal e se sente lesado, portanto, rompe o “contrato” social se vingando de todos os seus opressores.

Um dia de fúria
Na cena do restaurante, Bill já está bastante violento, por isso as cores são mais vibrantes, destacando o vermelho.

 Ainda temos o problema do mal atendimento em um fast food, nessa cena percebemos que Bill quer ser tratado de forma vip, fazendo com que o restaurante quebre suas regras para atende-lo e não é isso que acontece.

Em outro momento, percebemos o ressentimento em relação a classe social extremamente nítido, quando o personagem invade um campo de golfe, porque não quer dar a volta e perder tempo.

um dia de fúria campo de golfe
No campo de golfe o conflito de classe fica evidente.

Bill ainda é um personagem atual, pois vemos muitas formas de comentários que demonstram muito ressentimento, principalmente no território da internet.

Se você ainda não assistiu esse filme de 1993, recomendo bastante que você dê uma chance, pois nos traz reflexões que ainda são atuais.

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