Resenha livro: Fahrenheit 451 – Ray Bradbury

Você consegue imaginar um mundo onde os livros não existem? Nenhum livro, nem a Bíblia a obra mais lida em nossa sociedade.

Esse é o tema da narrativa distópica criada por Ray Bradbury. Guy Montag é o protagonista, um bombeiro que não apaga incêndio, mas o cria, sua função é queimar os livros encontrados escondidos nas casas das pessoas, disso depende a manutenção da ordem e do sistema.

Todas as relações humanas nessa sociedade são dotadas de superficialidade, as casas são equipadas com grandes televisores que ocupam a parede toda, gerando cada vez mais alienação.

Os programas que são veiculados são extremamente simples, fazendo com que as pessoas não pensem. Abaixo um trecho de um diálogo de Montag com o seu chefe:

“Promova concursos em que vençam as pessoas que se lembrarem da letra das canções mais populares ou dos nomes das capitais dos estados ou de quanto foi a safra de milho do ano anterior. Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-os com “fatos” que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente “brilhantes” quanto a informações.”

O interessante é que não houve um regime ditatorial que determinou essas regras, principalmente, a extinção dos livros, mas a própria população decidiu assim. Simplesmente, porque as pessoas não queriam mais conflitos.

Montag é casado com Mildred e logo no primeiro capítulo ficamos sabendo que ela tomou várias pílulas para dormir e está desmaiada no chão.

No outro dia a mulher simplesmente mal comenta a respeito do assunto, como se o ocorrido fosse algo natural. Esse fato significa que essa sociedade está completamente narcotizada, ou seja, as pessoas já não sentem mais nada e se dopam de remédios para isso.

A vida do bombeiro muda completamente, quando ele conhece uma adolescente chamada Clarisse. A jovem o enche de perguntas, que o leva simplesmente a racionar, coisa que ele não estava acostumado.

Também, a personagem tem atitudes muito estranhas, como andar a pé, observar a paisagem, cheirar as flores e olhar para as estrelas. Ela é considerada uma pessoa louca, pois a moça sente a vida. Nessa sociedade as pessoas não “perdem” mais tempo com esse tipo de coisa.

Inegavelmente a narrativa faz críticas aos regimes ditatoriais e totalitários, mas também à nossa sociedade, mais especificamente a indústria cultural, que segundo Adorno e Horkheimer também pode ser um mecanismo de dominação. Lembrando que os programas de televisão descritos na obra são de baixíssima qualidade, justamente para perpetuar a alienação.

“Os consumidores são os trabalhadores e os empregados, os lavradores e os pequenos burgueses. A produção capitalista os mantém tão bem presos em corpo e alma que eles sucumbem sem resistência ao que lhes é oferecido. Assim como os dominados sempre levaram mais a sério que os dominadores a moral que deles recebiam, hoje as massas logradas sucumbem mais facilmente ao mito do sucesso do que os bem-sucedidos.” Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer.

Dessa maneira deixarei com vocês a partir daqui, a dica de um livro excelente, que com certeza ficará com você!

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Ray Bradbury nasceu nos Estados Unidos, em 1920. Escreveu romances, contos, peças, poesias e roteiros para filmes mas se tornou famoso com seus romances visionários. Considerado um dos mais importantes nomes da ficção científica, vendeu mais de 8 milhões de cópias de livros. Faleceu em 2012.

 

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7 comentários

  1. Eu tenho muita vontade de ler esse livro. Ele está na minha lista e agora mesmo eu me pergunto porque nunca o li.
    E quando você fala:
    ‘Todas as relações humanas nessa sociedade são dotadas de superficialidade, as casas são equipadas com grandes televisores que ocupam a parede toda, gerando cada vez mais alienação.’
    É do livro mesmo que você está falando ou aproveitou para criticar a nossa sociedade?
    Eu simplesmente adoro livros assim, que ao mesmo tempo que nos contam uma história, nos falam da nossa própria história.
    Obrigado por trazer esse clássico.
    Abraço.

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá Gabriel, o narrador deixa subentendido para nós a superficialidade das relações já no primeiro capítulo ao apresentar a personagem Clarisse, que sente como uma pessoa desajustada. É um livro que realmente vale a pena, se vc o tiver para ler, super recomendo!! Abraços!!!

      Curtido por 1 pessoa

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