Resenha livro: Marcados pelo Triângulo Rosa – Ken Setterington

Em “Marcados pelo Triângulo Rosa”, Ken Setterington nos conta sobre os homossexuais capturados pelo regime nazista e levados para campos de extermínio.

No início do século XX, Berlim era considerada a capital dos homossexuais. Pessoas de todo o mundo viajavam para a cidade alemã para vivenciarem essa atmosfera de liberdade.

Eldorado
Eldorado era uma boate gay localizada em Berlim no início do século XX, onde mulheres se vestiam como homens e vice-versa.

Quando os nazistas tomaram o poder essa tolerância acabou, quem não se encaixava no padrão ariano estava condenado.

“Quanto às mulheres, Himmler achava que elas deveriam se vestir de modo feminino. Se usassem roupas masculinas, poderiam levar muitos homens à homossexualidade. Mulheres que antes viviam sem problemas com seus cabelos curtos e ternos masculinos reconsideraram seu estilo de se vestir.”

Os homossexuais eram considerados pessoas degeneradas, e por isso, não deveriam viver em uma sociedade ariana, também não geravam filhos, impedindo o projeto de nazista de domínio do mundo.

“O número de mulheres que foram submetidas aos horrores dos campos de concentração por serem lésbicas não pode ser documentado. O que é certo é que não houve perseguição sistemática às lésbicas que fosse comparável à perseguição aos homens gays.”

Antes de Hitler se tornar chanceler, já existia na Alemanha uma lei que proibia relacionamentos de pessoas do mesmo sexo, a lei 175, porém ninguém a cumpria. O que os nazistas fizeram foi somente aplica-la e mandar os homossexuais para os campos de concentração.

Propaganda nazista
O padrão ariano de raça pura nazista, consistia em pessoas alemãs arianas, saudáveis e heterossexuais.

Apesar de não fazer parte do projeto de pureza racial nazista, Ernst Röhm (chefe da SA) era homossexual e amigo pessoal de Hitler.

No entanto, muitos membros do Partido Nazista se sentiam incomodados com a homossexualidade de Röhm, mas ele ainda tinha muito poder, pois sob suas ordens haviam 3 milhões de homens que ajudaram a consolidar o poder do nazismo.

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A SA era uma força paramilitar nazista, foi destruída e substituída pela SS.

O amigo de Hitler queria comandar o Exército, porém estava claro que isso não seria possível, ninguém queria se submeter ao comando de um homossexual.

Enquanto isso, Heinrich Himmler (comandante da SS), Reinhard Heydrich (comandante da inteligência nazista) e Hermann Göring (comandante da Força Aérea) estavam ansiosos para ganhar mais controle dentro do Partido Nazista.

O melhor caminho para eles ascenderem era eliminando Röhm, dessa maneira, eles criaram documentos falsos implicando o líder da SA em uma conspiração dentro da cúpula nazista.

Röhm foi assassinado por dois atiradores da SS. Em 13 de julho, a elite da SA foi eliminada, no evento que ficou conhecido como “A Noite das Facas Longas”. Fontes indicam que 400 morreram durante poucos dias.

Nos campos de concentração a vida dos prisioneiros homossexuais era comparável a dos judeus: Fome extrema, trabalhos pesados, humilhações, frio, cansaço e doenças.

A única forma de sobrevivência era se tornar um “brinquedo” sexual nas mãos  de um SS ou de um Kapo, mostrando como essa sociedade era hipócrita.

Prisioneiros durante o regime nazista
Homossexuais em um campo de concentração. Eles eram identificados pelo triângulo rosa.

Houve muitos experimentos médicos executados por diversas razões, uma delas para encontrar a causa da homossexualidade, a castração era uma forma de “tratamento.”

Muitos homens receberam a opção de serem castrados e levados para lutar contra os soviéticos e com isso receberiam o perdão do Estado. Não preciso falar que a chance de sobrevivência era mínima.

“Não há estatísticas conhecidas sobre o número de homossexuais que morreram nos campos, mas taxa de mortalidade tem sido estimada em 60% – entre as mais altas de prisioneiros não judeus.”

Outro processo de “cura” consistia em enviar os homossexuais para os bordéis de campo, todos os triângulos rosas eram obrigados a ter relações sexuais com mulheres.

Josef-Mengele-013
Josef Mengele (o “médico da morte”) também realizava experimentos com homossexuais, para “cura-los”da homossexualidade. A castração era uma das opções de “tratamento”.

Um dos sobreviventes, chamado Josef Kohout relatou um caso que eu quis compartilhar com vocês.

Quando ele estava no campo de Sachsenhausen, o rapaz viu chegar um padre que havia sido capturado por discordar do regime nazista. Era um homem alto e distinto, vindo de uma família de aristocratas alemães.

O padre ficou esperando nu na neve por longas horas, até receber autorização para entrar no galpão. No outro dia, ele estava rezando e foi dedurado para um SS, que obrigou a todos a observarem o religioso ser espancado até desmaiar.

Na manhã seguinte, um dia nublado e chuvoso, o padre precisou ser carregado para a contagem no pátio, quando um sargento nazista levantou a mão para espanca-lo novamente. Um único raio de sol brilhou apenas sobre o padre, fazendo com que o alemão desistisse de seu intento. 

Deixo com vocês a dica desse livro, que relata um passado tão sombrio, para lembrarmos que isso nunca mais deverá acontecer!

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