Resenha livro: Viviré con su nombre, morirá con el mío – Jorge Semprún

Jorge Semprún sobreviveu ao inferno do Holocausto e a partir desse livro, ele nos contou um pouco da sua experiência.

Jorge-Semprún

O autor nasceu em Madri no ano de 1923. Em 1939, após a vitória da extrema direita na Guerra Civil Espanhola, o rapaz emigrou para a França.

No país, Semprún se filiou ao Partido Comunista e começou a fazer parte da resistência francesa contra o nazismo. Nesse ínterim, ele foi capturado pelos alemães, após ser torturado foi levado ao campo de concentração de Buchenwald.

“A maioria dos primeiros detentos de Buchenwald era formada por prisioneiros políticos. Contudo, em 1938, após o massacre da Kristallnacht, os agentes das SS e da polícia alemã enviaram cerca de 10.000 judeus para Buchenwald, onde foram submetidos a tratamentos extraordinariamente cruéis. Duzentos e cinqüenta e cinco deles morreram por causa dos maus tratos iniciais infligidos naquele campo.” Encyclopedia Holocaust.

Para sobreviver o autor contou com a ajuda de uma rede de prisioneiros comunistas, mesmo assim sua vida não foi nada fácil.

Um dia um prisioneiro comunista alemão, chamado Kaminsky (esse nome é fictício, pois o autor quis preservar a identidade do companheiro) lhe informou que o comando nazista de Buchenwald havia recebido um memorando do governo alemão perguntando por Semprún e possivelmente na próxima contagem ele seria assassinado.

A fonte da informação eram os prisioneiros Testemunhas de Jeová, que haviam sido presos por se negarem a pegar em armas, exerciam a maioria dos trabalhos administrativos do campo.

Buchenwald
Prisioneiros no campo de concentração de Buchenwald, construído a leste da Alemanha.

Assim, os comunistas tiveram uma ideia que poderia salvar a vida de Jorge: ele trocaria de identidade com outro prisioneiro que estivesse à beira da morte, por isso o título do livro: Eu viverei com o seu nome e você morrerá com o meu.

Eles encontram um moço já em estado de extrema inanição, que fizera parte da resistência francesa e era filho de um nazista. Quando foi capturado os nazistas consultaram seu pai, cujo poder poderia salvá-lo, mas ele se negou a tratar o filho de forma diferente, então o rapaz foi enviado para o campo de concentração.

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Mapa do campo de concentração de Buchenwald,

Os soviéticos tinham um poder obscuro dentro de Buchenwald, mesmo logicamente, não sendo reconhecido pelos nazistas. Eles pretendiam salvar o máximo de comunistas possível, para organizarem uma rebelião, também promoviam boicotes a produção industrial, que era feita com mão de obra escrava.

Um exemplo desse poder foi quando um russo mandou que Semprún falasse com outro prisioneiro político francês que andava roubando outros presos no campo, essa conduta não podia ser tolerada.

Assim que o soviético saiu, Kaminsky o avisou da identidade do homem, era um agente da NKVD (futura KGB), mesmo sendo um prisioneiro qualquer, ele tinha poder sobre os outros. Jorge lhe obedeceu mesmo a contragosto.

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Prisioneiros políticos em Buchenwald.

Apesar dos prisioneiros políticos terem recebido um tratamento um pouco melhor do que os judeus, não estavam isentos de passar pela fome extrema, pois o que comiam era uma “sopa” de casca de batatas, um “café” ralo e um pedaço de pão embolorado.

As humilhações também era um show de horrores, por exemplo, quando Semprún estava trabalhando em uma pedreira, um Kapo mandou-lhe carregar uma pedra gigantesca, um russo alto e forte que estava próximo, uma pedra pequena.

Em um momento ocorreu um estrondo e todos os alemães e Kapos olharam para trás e o russo trocou de pedra com ele lhe salvando a vida, visto que se um prisioneiro caísse no chão seria assassinado na hora.

Os nazistas colocavam como Kapos alemães criminosos comuns. O autor nos conta que havia um Kapo pedófilo que ficava olhando os adolescentes e as crianças (meninos) nus recém-chegados.

Uma maneira que os prisioneiros tinham de se humanizarem perante aquela situação era através da literatura. Havia uma biblioteca em Buchenwald para os alemães, que só tinha exemplares do “Minha Luta” do Hitler e o livro do Rosemberg ideólogo do nazismo.

No entanto, os nazistas confiscavam os pertences dos prisioneiros e lá encontravam livros, um deles foi parar na biblioteca: “O Som e a Fúria” do William Falkner.

Jorge conseguiu esse livro e andava com ele sempre que podia, como uma maneira de se sentir humano.

O testemunho de Semprún confirma todos os testemunhos dos judeus sobreviventes, calando qualquer espécie de negacionismo do Holocausto.

Por exemplo, ele tem contato com um prisioneiro judeu que foi seu professor na Sobornne. Ele relata como ficavam as pessoas em estado avançado de inanição, quando perdiam até a linguagem e a capacidade de fala. Acabar assim era o pesadelo de todos que estavam nos campos de concentração.

O relato abaixo de Semprún, é muito semelhante ao de Primo Levi:

“Está claro que el mejor testigo – en realidad, el único testigo verdadero, según los especialistas – es el que no ha sobrevivido, el que llegó hasta el final de la experiencia y murió en ella. “

Deixo com vocês a dica de mais um livro sobre o Holocausto, que infelizmente ainda não tem tradução para o português.

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https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/buchenwald

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