Resenha livro: Diário do Gueto – Janusz Korczak

Janurz Korczak durante a Segunda Guerra Mundial dirigiu o orfanato para crianças judias, localizado no gueto de Varsóvia.

Atenção: As fotos podem desencadear gatilhos.***

O referido diretor nasceu em Varsóvia, Polônia em 22 de julho de 1878 e morreu no campo de extermínio de Treblinka, em 6 de agosto de 1942. Foi médico, pediatra, pedagogo e ativista social.

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Como pedagogo era adepto de Jean Piaget e acreditava em uma educação que conferisse autonomia às pessoas.

Através do seu diário podemos conhecer um pouco do seu pensamento e do seu dia a dia no gueto.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os guetos eram regiões urbanas onde os alemães concentraram a população judaica. Os nazistas criaram mais de 400 guetos e os judeus foram forçados a viver em condições terríveis.

Os bairros cercados foram uma medida provisória que visava o controle, segregação e a posterior eliminação dos judeus.

O gueto de Varsóvia foi o maior gueto, com mais de 400 mil pessoas vivendo em condições sub-humanas.

Os nazistas confiscaram todos os negócios da população judia e aqueles que trabalhavam como assalariados perderam seus empregos.

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No gueto de Varsóvia as pessoas viviam na extrema miséria.

Os judeus dependiam completamente dos nazistas para se alimentarem, recebendo apenas 200 calorias por dia.

Portanto, nasceu no gueto o contrabando, feito principalmente por crianças, que através da rede de esgoto se dirigiam para o lado polonês e realizavam trocas de bens por comida.

Assim, emergiu uma elite dentro do bairro cercado, os contrabandistas acabaram conquistando mais poderes econômicos.

É para essas pessoas que Janusz pede ajuda para continuar a manter o orfanato. No diário, o médico reclama bastante da elite judaica, pessoas que ele não gostaria de manter contato, mas se vê obrigado pela sobrevivência das crianças.

Aliás, Korczak é bastante crítico em relação à elite judaica, não só na condição do gueto, mas de uma forma geral. Ele acreditava que não deveria haver separação entre trabalhos braçais e intelectuais, as pessoas deveriam ter condições de fazer os dois, também não poderia haver hierarquias e nem superioridade de nenhuma maneira, de uma pessoa sobre outra.

O pedagogo demonstra muita preocupação com as crianças do gueto. São várias páginas de relatos sobre a condição de saúde delas.

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Crianças no gueto de Varsóvia.

Janusz não faz muitas referências as condições tenebrosas em que vive. No entanto, em alguns fragmentos podemos perceber a realidade.

Em um momento, ele relata que precisou ir até o açougue, chegando no local percebeu que a carne estava muito barata. Ele brincou com a atendente, dizendo que a carne estava muito abaixo do valor para ser de cavalo, se talvez não era carne humana. Ela respondeu séria: “Eu não sei de onde vem a carne.”

A moça não achou estranha a pergunta e nem se ofendeu com a possibilidade levantada pelo médico, sua resposta indica que ela também havia questionado a procedência do alimento ou tinha certeza que era carne humana.

Em outro momento, Koczak repreende dois meninos na rua, que estavam brincando próximos a um cadáver, que estava jogado na calçada. Possivelmente, a pessoa foi morta por um nazista, ou morreu de inanição, o que era bem comum.

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Menino judeu vestido de trapos caído no chão, possivelmente desmaiou de fome. Gueto de Varsóvia, 1941.

Quando os nazistas levaram as crianças para o campo de extermínio de Treblinka, Janusz não quis deixar seus pupilos irem sozinhos e foi com eles. Todos morreram na câmara de gás.

O diário foi encontrado por seu amigo Igor Newerly, que o enterrou nas ruínas de Varsóvia e o reencontrou após a guerra.

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3 comentários

  1. Juliane tudo bem ? queria comentar uma coisa que me deixou intrigado,no começo do ano passado fui passear em SC com a minha namorada e quando estavamos num ponto turistico com várias lojas sendo uma delas uma loja militar entrando lá vi que além dos artigos do exército brasileiro,americano etc. tinha muita coisa sobre a 2GM incluindo camisetas,flâmulas,adesivos com estampas da Wehrmacht da Luftwaffe Afrika korps da divisão Panzer.Até comentei com a minha namorada que se vendessem isso em SP daria problema.A vendedora da loja disse que objetos e materiais sobre o exército alemão não tem problema nenhum e que até grandes lojas brasileiras online vendem esses objetos.Não é que ela tinha razão ? pesquisei por curiosidade e a venda de material alemão da 2GM é bem relevante.Curioso né ? essa distinção entre nazismo e exército alemão.Abraços !

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