Resenha livro: O Pavilhão dos Padres: Dachau 1938 – 1945 – Guillaume Zeller

“La fora, a sinagoga está ardendo, mas também é uma casa de Deus.” Padre Bernhard Lichtenber, foi preso, torturado e levado para Dachau, onde faleceu.

Muitos padres, freiras e pastores foram vítimas do nazismo por discordarem de um sistema que confrontava suas crenças religiosas.

Padre Lichtenberg
Padre Bernhard Lichtenber, foi preso, torturado e levado para Dachau, onde faleceu.

 

Primeiramente, Hitler mandou confiscar o Velho Testamento, pois dizia que era um livro da memória judaica, também ordenou que retirassem as cruzes das igrejas e as substituíssem por suásticas.

Muitos religiosos discordaram do nazismo, a ponto de terem um bloco em Dachau, que comportava somente padres de diversas nacionalidades.

O motivo das prisões variava, desde discordar do nazismo, devido a perseguição aos judeus e outras minorias, a proibição da leitura do Velho Testamento e até casos como o de um padre alemão que não quis celebrar um casamento de uma mulher divorciada, que pertencia ao Partido Nazista, e um militar.

Tiveram padres confinados em praticamente todos os campos de concentração, no entanto, Dachau concentrou a maioria.

Dachau foi um campo de concentração criado para silenciar qualquer oponente do regime de Hitler, assim coagir o povo alemão a obedecer ao Partido Nazista.

O tratamento que os prisioneiros recebiam era terrível: Fome extrema, trabalho duro, frio terrível, perda do nome e ganho de um número, também foram utilizados como cobaias humanas em experimentos.

bandeira nazista
Bandeira nazista em igreja protestante,  Alemanha.

Como os outros presos eram espancados por qualquer razão, mas com um agravante, se eram pegos rezando ou fazendo extrema unção em algum prisioneiro eram mortos.

“As blasfêmias contra as bases da fé católica em geral e contra a virgindade da Maria, em particular, são as mais usuais. Tudo é pretexto para colocá-los em situação de vulnerabilidade em relação à sua fé e a seu sacerdócio.”

Na Semana Santa, os SS se divertiam  fazendo coroas com arames farpados e colocando nos padres, fazendo-os trabalharem machucados.

Também, era comum os nazistas obrigarem os judeus a baterem nos sacerdotes, simulando a Paixão de Cristo.

Nos primeiros meses de 1940, o Núncio Apostólico Cesare Orsenigo negociou a criação de pelo menos uma capela em Dachau, com Secretário de Estado do Ministério das Relações Exteriores alemão Ernst von Weizsäcker.

No entanto, a capela é monitorada de perto pelos SS, e o acesso ao local só é permitido aos sacerdotes, sendo proibido aos leigos.

Outro problema era a eucaristia, que normalmente era profanada pelos nazistas.

“Os religiosos de Dachau buscam espontaneamente levar o Santo Sacramento a seus companheiros leigos. Estabelece-se uma rede eucarística clandestina para distribuir a comunhão pelo campo. “

O padre Adam Kozlowiezki disse que uma vez um SS entrou na capela e começou a vociferar: “Engulam tudo de uma vez! Comam tudo e terminem logo com isso!”

Posteriormente, o acesso ao local também foi proibido aos padres que não fossem alemães.

Dachau foi um dos últimos campos a ser libertado e foi para lá que vários prisioneiros famintos vindos de outros campos, evacuados a partir de 1944, à medida que o Exército alemão recuava.

Marcha da Morte saindo de Mauthausen, 1945
“Marcha da Morte” saindo de Mauthausen, Austria, 1945. Yad Vashem/Jerusalém

“O comboio mais mortífero chega em 28 de abril, vindo de Buchenwald, com muitos religiosos.”

Nos últimos meses antes da chegada dos estadunidenses, as condições em Dachau se tornaram muito piores para os prisioneiros.

dachau
Soldados americanos registram uma pilha de corpos em Dachau, 1945. Yad Vashem/Jerusalém

Barracões construídos para abrigar 200 pessoas acabaram recebendo 1600 pessoas cada um, pois com a chegada dos soviéticos na Polônia, os prisioneiros dos campos de extermínio localizados nesse país foram evacuados para os campos na Alemanha.

Em 26 de abril de 1945, a SS marchou com 7 mil prisioneiros para sul da Alemanha, o que ficou conhecido como Marcha da Morte, os que ficavam para trás foram mortos a tiros e muitos morreram de fome, exaustão e frio.

Os sacerdotes sobreviventes de Dachau demonstraram após a guerra um grande engajamento político, mas também muitas divergências com a Igreja, mas poucas foram as rupturas.

“A experiência dos sacerdotes de Dachau conduz ao mistério do perdão, pois Kazimierz Majdanski não é o único a perdoar seus carrascos. Sem derrogar as exigências da justiça e da memória, muitos religiosos se recusaram a ceder a tentação da vingança e da raiva, elementos ausentes na maioria dos testemunhos.”

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