Resenha livro: O Fascismo Eterno – Umberto Eco

Em “O Fascismo Eterno” ou o Ur-Fascismo, Umberto Eco nos faz um alerta para não esquecermos, para não darmos o fascismo como superado.

A ideologia fascista pode aparecer com várias roupagens, visto que é facilmente adaptável a um contexto, ou a cultura de um país.

Por exemplo, existiu apenas um nazismo, não podemos chamar o governo de Franco na Espanha (super católico) de nazista, visto que o nazismo é anticristão e politeísta. Mas, podemos chamar o fraquismo de fascista, mesmo tendo diferenças do fascismo italiano.

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Francisco Franco (ditador espanhol) com Benito Mussolini. A Espanha vivenciou o fascismo.

Eco viveu sua infância no regime fascista, quando a Segunda Guerra Mundial acabou, ele afirma que se sentiu estranho, pois nas escolas, todas dominadas pela ideologia fascista, tinham dito que a guerra permanente era uma condição de qualquer italiano.

O autor pela primeira vez teve contato com a ideia de Resistência (grupos de guerrilhas que agiam contra o regime) e que o Holocausto havia existido. O jovem Umberto descobriu que havia sido libertado.

fascismo
Benito Amilcare Andrea Mussolini foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do fascismo.

O fascismo, ao contrário do nazismo e do stalinismo, não é uma ditadura totalitária, por conta da debilidade filosófica de sua ideologia.

“O termo “fascismo” adapta-se a tudo porque é possível eliminar de um regime fascista um ou mais aspectos, e ele continuará sempre a ser reconhecido como fascista.”

O totalitarismo tem por característica o domínio total da vida do indivíduo, segundo Hannah Arendt, esse tipo de Estado intervém até em uma simples partida de xadrez.

Mas, isso não significa que o fascismo teria sido “brando” em seu domínio, como exemplifica Eco: “O fascismo italiano foi o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e até mesmo um modo de vestir – conseguindo mais sucesso no exterior que Armani, Benetton ou Versace.”

O fascismo italiano convenceu muitos líderes europeus de que essa ideologia poderia fazer frente à ameaça comunista.

culto a personalidade
Culto a personalidade de um líder faz parte das características de um regime fascista.

Abaixo seguem algumas características do fascismo eterno, segundo Eco:

  • Culto a tradição;

Constitui a ideia de que a verdade já foi anunciada de uma vez por todas, e só podemos continuar a interpretar sua mensagem. Sempre há um resgate de um passado mítico.

Mussolini tentou resgatar a glória do império romano
Mussolini tentou resgatar a glória de Roma.
  • Recusa a Modernidade.

Os fascistas e os nazistas adoravam a tecnologia, mas os valores que a modernidade trouxe, principalmente o iluminismo e a idade da razão eram vistos como depravação moral.

  • Culto ao irracionalismo, culto da ação pela ação.

Pensar é uma forma de castração, as ações devem ser obedecidas sem questionamentos.

“Quando ouço falar em cultura, pego logo a pistola”. Goebbels.

  •         A não aceitação de críticas.

            Para o fascismo é tudo preto e branco, não há nuances. “O espírito crítico opera em distinções, e distinguir é sinal de modernidade.

  • O fascismo nasce das frustrações coletivas e individuais.

Historicamente o fascismo sempre apelou às classes médias frustradas, seja por alguma crise econômica ou política.

  • Obsessão por uma teoria da conspiração.

O mal pode vir dos judeus, dos capitalistas ou dos comunistas, qualquer grupo pode ser usado para a construção de um inimigo.

  • As pessoas precisam se sentir humilhadas.

Eco explica que durante sua infância ensinavam as crianças que os ingleses tinham cinco refeições por dia. Os judeus eram outro grupo muito ricos, enquanto os italianos eram pobres.

  • O fascismo usa linguagem própria.

Todos os textos escolares nazistas ou fascistas se baseavam em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico.

Umberto Eco (Alexandria, 1932 Milão, 2016) filósofo, medievalista, semiólogo, crítico literário e midiólogo.

Reconhecido como um dos mais importantes escritores e pensadores dos últimos tempos.

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