Como os Aliados trataram os refugiados judeus?

Os Aliados foram negligentes em relação ao Holocausto?

“Se em vez de judeus, milhares de mulheres, crianças e idosos ingleses, americanos ou russos estivessem sendo torturados todos os dias, incinerados até a morte, asfixiados em câmaras de gás – vocês teriam agido do mesmo modo?” David Ben – Gurion

Possivelmente, a resposta é “não”. Os governos ingleses, americanos e soviéticos foram negligentes em relação aos judeus especificamente, não quiseram se comprometer na Conferência das Bermudas em 1943, a aceitar um grande número de judeus expulsos de seus países pelos nazistas – mesmo tendo condenado no final de 1942, o extermínio de judeus pelos alemães.

A posição dos Aliados em relação ao Holocausto era muito simples, a única maneira de acabar com o extermínio da comunidade judaica e dos outros grupos era derrotando os nazistas.

No verão de 1944, essa estratégia desfrutou de sucesso e legitimidade, quando os soviéticos libertaram o campo de extermínio de Majdanek.

O que será que teria acontecido se os Aliados bombardeassem as fábricas em Auschwitz?
Ou as ferrovias nazistas que levavam as pessoas até os campos de extermínio? O que os impediram?

Para termos uma ideia, em 1939, os judeus estavam numa posição angustiante em praticamente toda Europa.

Nesse mesmo ano, 937 refugiados judeus deixaram Hamburgo na Alemanha, no navio cruzeiro St. Louis da companhia Hamburg-Amerika, com destino a Cuba.

Manifestações antissemitas acolheram a notícia da chegada iminente do navio em Havana.

Judeus embarcando no Saint Louis (2)
Judeus embarcando no navio Saint Louis em Hamburgo, Alemanha, 1939.

Embora de posse de vistos de entradas do governo cubano, os passageiros não obtiveram permissão para desembarcar.

O diretor geral do departamento de imigração de Cuba havia extorquido meio milhão de dólares em propinas dos passageiros, para conceder-lhes os vistos.

Porém, o navio recebeu ordens para deixar o porto de Havana e seguiu para Miami.
As autoridades norte-americanas rejeitaram os apelos para que os judeus fossem autorizados a entrar nos Estados Unidos.

E assim o navio lotado de refugiados retornou para Europa.
Ele atracou em Antuérpia, os governos da Bélgica, Grã-Bretanha, França e Holanda concordaram em aceitar os passageiros.

No entanto, como deixou bem claro a Inglaterra, essa atitude não poderia “ser considerada um precedente para a futura aceitação de refugiados que deixassem a Alemanha antes que providências definitivas tivessem sido feitas para que eles fossem aceitos em outro lugar.”

Cerca de um quarto dos passageiros desse navio foram mortos mais tarde no Holocausto.
Na foto vemos judeus embarcando no Saint Louis em Hamburgo, Alemanha, 1939.

Referência: Bernard Wasserstein. Na Iminência do Extermínio.

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