Resenha livro: Inverno na Manhã. Uma jovem no Gueto de Varsóvia – Janina Bauman

Nesse livro, Janina Bauman nos conta como foi sua vida, sendo uma adolescente judia, em Varsóvia, Polônia, durante a ocupação nazista.

Janina Bauman no gueto
Janina no Gueto de Varsóvia.

A partir de seus diários da época escondidos durante a guerra e reencontrados intactos, a autora retoma esses anos terríveis, nos apresentando sua vida de classe média antes da guerra, posteriormente o Gueto de Varsóvia e a vida nos esconderijos.

Através dessa obra vemos a memória de quem esteve em gueto e em esconderijos, de quem andou pelas ruas de Varsóvia com medo e disfarçada, temendo todos os olhares, principalmente de alemães.

Logo após o Pacto Ribbentropp-Molotov (pacto de não agressão entre Alemanha e URSS), o pai de Janina desaparece.

Ela sua mãe e irmã mais nova, chamada Sofie junto com os outros judeus são deslocados para o Gueto de Varsóvia.

Gueto de varsóvia1
Gueto de Varsóvia.

No local a fome era constante, havia pessoas jogadas na rua mortas de inanição ou tiro de alemães.

A verdade era se antes da guerra a pessoa não tivesse acumulado alguns bens móveis que pudesse trocar, as chances de sobrevivência no gueto eram muito menores.

Janina vinha de uma família de médicos, portanto, vivia bem antes da guerra, por isso, tinham algumas coisas acumuladas que foram essenciais para sua sobrevivência.

 

Também, as três mulheres contaram com a ajuda de uma senhora cristã, que havia sido babá das meninas, chamada de Tia Maria.

Sem dinheiro, sem a ajuda da Tia Maria e da Resistência Polonesa para conseguir os abrigos teria sido impossível.

Dentro do gueto a comida que chegava vinha através do contrabando, feito na maior parte das vezes por crianças que conseguiam ir do lado polonês e trocar dinheiro e produtos por comida, que era vendida dentro do bairro cercado a peso de ouro.

Crianças traficantes gueto de varsóvia
Crianças traficando no gueto de Varsóvia.

Se a pessoa dependesse exclusivamente das rações fornecidas pelos alemães exclusivamente a quem poderia trabalhar nas fábricas, a pessoa morria de inanição.

Dentro desse contexto, Janina começou a trabalhar junto com outros judeus em um terreno próximo ao cemitério judaico, plantando alguns legumes que eram enviados para a cozinha comunitária do gueto.

Entre os habitantes do bairro cercado havia o constante sentimento de que a qualquer momento as pessoas seriam mortas, portanto, muitos procuravam ter relações sexuais à vontade, moços e moças eram pouco reprimidos pelos pais.

A vida seguia ruim, mas ficou ainda pior, quando começaram as deportações, para os campos de extermínio, principalmente Treblinka.

Os primeiros deportados eram aqueles que não tinham nenhum vínculo empregatício.

Janina e Sofie não tinham, em um momento elas se veem em uma fila e se salvam da deportação devido a uma mulher que tenta dedurá-las, não vou contar como aconteceu isso, mas foi muito assustador.

povo sendo deportado no gueto de Varsóvia
Judeus sendo deportados do Gueto de Varsóvia para Treblinka.

As três mulheres passam um bom tempo tentando encontrar comida, atravessando muros e se escondendo aqui e ali.

Elas sabiam o que significava Treblinka, então fizeram de tudo para poder sobreviver, subornaram pessoas, compraram suas permanências em casas de quem tinha a licença de trabalho.

Porém, quando houve o levante do Gueto de Varsóvia a presença delas dentro do bairro se tornou impossível.

levante do gueto de varsóvia
Levante do Gueto de Varsóvia.

Tia Maria veio ao socorro conseguindo uma casa para elas ficarem, um cômodo comprado a preço de ouro.

Temos que levar em consideração que se uma família polonesa fosse pega com um judeu em casa ia direto para algum campo de concentração e extermínio.

Por isso, ao menor sinal de perigo elas tinham que sair e procurar outro lugar.

Segundo Janina, a aparência dela, da sua irmã e mãe denotava que elas eram judias.

Então para andar pelas ruas, na troca de um abrigo por outro, a mãe andava toda de preto com um véu tampando seu rosto, sua irmã colocava esparadrapos no nariz e ela colocava um chapéu para esconder os cabelos cacheados.

As três foram parar em vários lugares, algumas famílias muito legais, outras nem tanto.

Chegaram a passar por uma clínica clandestina de aborto, onde havia choro e gritos a noite toda.

Nesses lugares, elas ficavam dia e noite confinadas dentro de um quarto sem poder ver a luz do sol.

Janina Bauman e Zygmunt
Janina com seu esposo, o sociólogo Zygmunt Bauman, com quem se casou após a guerra e teve 3 filhas.

Em muitos momentos, surgiram pessoas querendo abusar da condição delas e pediam enormes quantias para não as entregar para a Gestapo, outros intencionavam outras formas de pagamento, como sexo.

Apesar de estarem englobadas dentro do objetivo maior de aniquilamento dos judeus europeus por parte dos nazistas, os guetos e os abrigos ofereceram experiências singulares que precisam ser diferenciadas para que sejam compreendidas em toda a sua complexidade.

Não é possível generalizar a vivência em cada uma dessas situações, pois que cada gueto ou até mesmo campos de concentração e extermínio apresentaram características próprias que exigem análises particulares.

Dentro desses aspectos, indico fortemente essa leitura para podermos compreender um pouco mais a respeito de um período tão terrível da história.

Janina Bauman após a guerra graduou-se na Academia de Ciências Políticas e Sociais em Varsóvia e licenciou-se em estética na Universidade de Varsóvia. Trabalhou com filmes poloneses durante vinte anos, como tradutora, pesquisadora e editora de roteiro. Em 1968, juntamente com o marido, Zygmunt Bauman, e as três filha deixou a Polônia. Faleceu em 2009.

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