A precariedade das condições de trabalho das empregadas domésticas.

A realidade das empregadas domésticas é extremamente complicada e em muitos contextos, essas mulheres se encontram em situações análogas à escravidão moderna.

Eu vou usar o substantivo “trabalhadora”, pois a maioria esmagadora dos empregados domésticos são mulheres.

No contexto social latino-americano as relações sociais entre empregadores e empregados contém elementos de fundo patriarcal e escravocrata, quando falamos das trabalhadoras domésticas essa situação fica mais explícita.

As empregadas domésticas substituíram as escravizadas da casa grande. Nesse contexto as afrodescendentes eram utilizadas como babás, amas de leite, nos serviços domésticos e em muitas situações como escravas sexuais.

Uma jovem escravizada com a criança do senhor.

Hoje as condições das trabalhadoras doméstica são também o reflexo de uma sociedade estruturalmente racista.

No Brasil e na América Latina a grande maioria das empregadas domésticas são de origem africana e indígena.

Consideradas pessoas inferiores o salário (quando há) é normalmente entendido pelos patrões como uma caridade.

Cena do filme “Roma” de Alfonso Cuarón evidencia a situação de exploração em que muitas mulheres estão submetidas.

O racismo e o sentimento elitista chegam a tal ponto, que em uma praia privada em Lima, Peru tinha uma placa que dizia: “Proibida a entrada de cachorros e empregadas domésticas.”

O emprego doméstico ainda é a principal forma de inserção no mercado de trabalho para mulheres pobres, pois todas as pessoas que entram nesse ramo não possuem estudos e nenhuma qualificação.

Os baixos salários nesse setor podem ser atribuídos a fatores como a existência de uma subvalorização desse trabalho, que é percebido como improdutivo.

O serviço doméstico está em sua maior parte na categoria de subemprego, pois a maioria trabalha de maneira informal.

A invisibilidade dessas trabalhadoras também se dá, porque muitas delas são apresentadas como pessoas da família, isso demonstra bem como essa estrutura de dominação está alicerçada no pensamento escravocrata.

Os direitos trabalhistas são a pedra angular para a construção de uma sociedade democrática, pois por motivos óbvios o trabalhador está sempre em desvantagem nas negociações de salários e carga horária.

No Brasil quando foi instituído a PEC das domésticas parte da elite argumentou que isso geraria mais desemprego, porque essas profissionais ficariam mais caras.

Vale ressaltar que a PEC deu para as trabalhadoras os mesmos direitos existentes para as outras categorias nada mais.

Com a pandemia do corona vírus a situação precária das trabalhadoras doméstica se tornou mais evidente.

No Rio de Janeiro a primeira pessoa que morreu dessa doença foi uma empregada doméstica, Cleonice Gonçalves, com 63 anos.

Aos 63 anos, a diarista Cleonice foi a primeira vítima da Covid-19 no RJ — Foto: Reprodução/TV Globo
Cleonice contraiu coronavírus dos patrões e acabou falecendo.

Cleonice trabalhava para uma família de elite no Leblon, Rio de Janeiro. Sua patroa voltou da Itália com COVID-19 e não a dispensou.

Assim, a trabalhadora contraiu a doença e acabou falecendo.

Recentemente, tivemos mais uma tragédia envolvendo uma empregada doméstica.

O menino de 5 anos, Miguel Otávio Santana da Silva caiu do nono andar de um prédio no Centro de Recife.

A mãe da criança – Mirtes Renata estava passeando com o cachorro da família, enquanto Miguel ficou aos cuidados da patroa da mãe – Sari Mariana da Corte Real.

Mirtes Renata com seu filho Miguel e Saria Mariana da Corte Real.

As imagens mostram Sari colocando a criança no elevador e apertando o botão do nono andar.

Mirtes Renata disse que o acidente foi causado por falta de paciência da patroa com Miguel.

Vale ressaltar que a mãe de Miguel estava trabalhando em época de pandemia e teve que levar a criança ao trabalho, pois as creches estão fechadas.

Esses são apenas alguns exemplos da precarização do trabalho das domésticas.

Dentro desses aspectos podemos perceber como é perversa essa estrutura de dominação, que desumaniza completamente as trabalhadoras domésticas.

Bibliografia: Paulo César Correa Borges (org.). Formas Contemporâneas de Trabalho Escravo.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/03/conheca-as-trajetorias-de-vida-de-20-vitimas-do-coronavirus-pelo-mundo.shtml

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/03/27/saiba-quem-sao-os-mortos-pelo-novo-coronavirus-no-rj.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52932110

https://www.hojeemdia.com.br/primeiro-plano/economia/dom%C3%A9sticas-de-bh-est%C3%A3o-entre-as-mais-caras-do-pa%C3%ADs-1.302557

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