Resenha livro: Mengele. A História Completa do Anjo da Morte de Auschwitz – Gerald L. Posner e John Ware

Josef Mengele foi um médico alemão e oficial da SS, que atuou como médico chefe em Auschwitz-Birkenau (1943-1945).
Mengele era responsável pelo processo de seleção, escolhendo quem viveria e quem morreria. Consta que ele enviou cerca de 400 mil prisioneiros para a câmara de gás, além de realizar experimentos médicos em cobaias humanas, principalmente gêmeos.

Josef Mengele.

O “Anjo da Morte”, como ficou conhecido, era o filho mais velho de industriais alemães do ramo agrícola. Seu pai – Karl Mengele era grande apoiador de Hitler.

Josef não era conhecido por ser um rapaz brilhante, seu nível na faculdade era mediano. Seu grande sonho era se tornar um doutor, para isso ele se formou em medicina e antropologia.

Antes de ir para Auschwitz, Mengele serviu no front leste europeu, onde ganhou a Cruz de Ferro. Porém seu grande sonho era realizar pesquisas e o campo de concentração e extermínio era o local ideal, ali ele não precisaria cumprir nenhuma ética.

Em Auschwitz a função de Josef era selecionar os prisioneiros que chegavam para a morte imediata nas câmaras de gás, ou morrer aos poucos pelo excesso de trabalho, fome e doenças.

Para cumprir esse serviço os outros médicos se embebedavam, porém Mengele realizava o trabalho sóbrio.

De acordo com testemunhas, ele tinha um temperamento sádico, ao mesmo tempo, que às vezes oferecia doces para as crianças, que ele utilizava como cobaias.

Em um dia, Josef assassinou uma moça judia com extrema brutalidade e depois pegou um sabão perfumado e lavou as mãos como se nada tivesse acontecido.

Os experimentos realizados por ele e outros médicos em Auschwitz-Birkenau não teve valor científico algum.

Com os soviéticos chegando perto, Mengele sabia que nunca poderia cair nas mãos do Exército Vermelho.

Assim, ele fugiu levando consigo todas as documentações de suas experiências. No meio do caminho confiou o material à uma enfermeira alemã, que dificilmente seria torturada pelos russos devido a sua profissão.  

Com identidade falsa, Mengele conseguiu chegar ao sul da Alemanha e se fingiu de camponês, conseguindo trabalho em uma fazenda.

Ele se demonstrava sempre esquivo e com medo de ser reconhecido, mas nunca deixou de mostrar um temperamento explosivo.

Quando a procura por criminosos de guerra começou a apertar, Mengele se viu compelido a fugir da Alemanha e foi para a Argentina.

Josef Mengele idoso.

Em Buenos Aires viveu a princípio uma vida sem nenhum conforto, começou a fazer vários “bicos”, até que conseguiu emprego em uma indústria farmacêutica como representante de vendas.

Posteriormente, ele começou a tocar os negócios da família revendendo produtos agrícolas da empresa Mengele.

Sua vida era comum, até o dia em que uma jovem argentina morre por conta de um aborto clandestino, praticado por um médico sem licença.

Assim, a polícia levanta suspeitas de que esse médico poderia ser Josef.

Por conta disso, ele foge para o Paraguai e é protegido pelo governo e por um círculo de nazistas.

Nesse período, o “Anjo da Morte” consegue atingir um pouco de prosperidade financeira comprando terras.

No entanto, o governo paraguaio começa a ser acusado de abrigar nazistas, dentre eles Mengele.

Dessa forma, o médico de Auschwitz decide ir para São Paulo. Apoiado por uma rede de alemães simpatizantes de Hitler, ele consegue ser abrigado pela família Stammer (Gita e Geza Stammer, além de dois filhos do casal) e passa a morar num sítio em Serra Negra.

Mengele no período em que viveu em São Paulo

Nesse lugar é onde ele passa a maior parte do tempo de sua vida. A convivência com as pessoas que moram com ele é muito ruim.

Visto que, Mengele começa a se relacionar amorosamente com – Gita Stammer a revelia de seu marido.

A situação é bastante estranha, pois eles “compartilham” a mesma mulher e fingem que tudo era normal.

Mengele se envolvia na educação dos filhos dos Stammer, alegando que eles eram “brasileiros demais”. Vale lembrar que ele reclamava do jeito “indisciplinado” dos brasileiros e da “baixa inteligência” dos argentinos.

O principal conflito no relacionamento entre eles era o lugar onde a família colocavam as canetas, visto que Josef queria que tudo fosse muito organizado.

Casa onde Mengele habitou em Serra Negra.

Segundo um relato de um rapaz que trabalhou no sítio, “Seu Pedro” tentou construir uma gerigonça que servia para matar cupins, mas que só serviu para espalhar mais cupins por toda a propriedade.

Nesse período, Mengele se torna ainda mais paranoico, com a captura de Eichmann em Buenos Aires pelo Mossad.

Assim, para se defender dos israelenses ele construiu uma torre no sítio, andava armado com um revólver velho e com vários cachorros vira-latas esquálidos (maus cuidados) para proteção.

O Mossad realmente estava caçando Josef incansavelmente e estavam muito próximos. Os israelenses tinham agentes que falavam português vivendo em Serra Negra.

No entanto, houve um problema com um sequestro de uma criança em Israel pelo avô, que não queria que o filho e a nora (pais do menino) voltassem para a URSS e os agentes do Mossad foram designados para encontrar o garoto.

Posteriormente, todos os recursos foram retirados do “Caso Mengele”, devido a construção de foguetes pelos nazistas junto com o governo egípcio.

Josef foi morar ainda com os Stammer em um sítio em Caieiras. Quando a família rompe de vez com ele, o médico nazista vai morar na Estrada Alvarenga, no bairro Eldorado em Diadema, Grande São Paulo.

Então superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Romeu Tuma analisa a ossada de Josef Mengele — Foto: Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal

A casa era um bangalô horrível, extremamente apertada e feia. Nesse período, ele fez amizade com outra família alemã, que também reclama do seu temperamento.

Os novos amigos falam que ele se assustava até com o barulho de escapamentos de carro, pois achava que poderiam ser os israelenses chegando. Vivia uma vida terrível.  

Também se ressentia do filho, que o visitou no Brasil com o objetivo de confrontá-lo a respeito de seu trabalho em Auschwitz.

Vivia amargurado pela primeira esposa que o abandonou e por não poder conviver com a segunda mulher, que ficou na Argentina.

Mengele morreu em 1979, em Bertioga no litoral de São Paulo com um derrame e posterior afogamento. Foi enterrado como indigente.

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2 comentários

  1. Juliane a história do Mengele é impressionante será que quando ele esteve no Brasil ele se arrependeu ou usou a imagem de ”bom homem” como um disfarce ? já que ele costumava tratar bem as crianças e os moradores locais chegando a ser conhecido como ”Tio Pedro” e segundo relatos cuidou de uma criança doente filha de um funcionário do sítio e também como foi mostrado no programa Linha Direta justiça, o Mengele consertava brinquedos das crianças que moravam na vizinhança aliás você assistiu ao programa Linha Direta Caso Mengele ? foi muito bom os atores estavam ótimos lembro que o Mengele mais jovem foi interpretado pelo Tarcísio Filho e mais velho pelo Othon Bastos, os dois fizeram muito bem o papel, recomendo pros amigos do canal a procurarem pelo programa no youtube(linha direta Mengele) vale a pena ! Abraços..

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu assisti o “linha direta do Mengele”, também gostei. Segundo Rolf, o filho dele, Mengele não se arrependeu, negou os crimes. Ele tinha mesmo um temperamento oscilante, ora estava muito bem dando doces para as crianças cobaias humanas, depois as matava. No Brasil a mesma coisa, ora estava bem com a família que o acolheu, em seguida tinha roupantes de ira.

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