Resenha livro: A Parte Obscura de Nós Mesmos – Élisabeth Roudinesco

Élisabeth Roudinesco nasceu em 1944, em Paris, ela é historiadora e psicanalista. Biógrafa de Freud e Lacan trabalha para a divulgação da Psicanálise, se dedicando em falar também sobre a Revolução Francesa, Filosofia e Judaísmo.

 Em “A Parte Obscura de Nós Mesmos”, a autora apresenta e interpreta a história dos perversos no Ocidente.

Ela analisa algumas figuras como o Giles de Rais (Barba Azul), os santos místicos flagelantes, o marquês de Sade, a medicina mental do século XIX e Rudolf Höss (comandante de Auschwitz-Birkenau), que será nosso foco.

O que é um perverso?

Desde o surgimento do termo é considerado perverso aquele que se deleita com o mal e a destruição de si e do outro.

Os nazistas se arrogaram no direito de decidir quem devia ou não habitar o planeta Terra. Da mesma forma, o mal radical era fruto de um sistema que repousava na ideia de que somente as “raças superiores” poderiam viver.

Rudolf Höss foi um oficial da SS,  guarda no campo de concentração de Dachau, ajudante no campo de concentração Sachsenhausen e posteriormente comandante do campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau.

Rudolf Höss e Mengele em Auschwitz-Birkenau.

Segundo Roudinesco, Höss não se parece nem com Eichmann, Himmler, Göring, pois os três negaram seus crimes.

Certo de que seria executado, Rudolf procurou em seu depoimento não negar atos genocidas, mas explicá-los. Ele acreditava que poderia ser julgado como um herói de bom coração.

Para ele as vítimas tinham desejado sua destruição, os carrascos seriam meros executores de uma vontade autopunitiva.

“Que o grande público continue então a me considerar uma besta feroz, um sádico cruel, o assassino de milhões de seres humanos – as massas não poderiam fazer outra ideia do ex comandante de Auschwitz. Elas nunca compreenderão que, eu também, tinha um coração…”

 Para propagar uma boa imagem de si mesmo, Höss relata sua tranquila infância camponesa e católica entre um pai grotesco, de uma rigidez terrível, e uma mãe completamente estúpida. (palavras dele)

Rudolf descreveu o mundo urbano como corrompido, em contraposição à Floresta Negra um lugar puro, até o dia em que foi raptado por ciganos, enquanto brincava no bosque. (Ninguém sabe se isso foi real)

Rudolf Höss na prisão.

Assim, ele passou a buscar a companhia de animais: “O pônei era meu único confidente, apenas ele, eu acreditava, era feito para compreender. A afeição familiar e fraterna não estava em minha natureza…”

Aos 13 anos planejou entrar de forma séria no catolicismo e já se viu como “missionário na África, empenhado em abater os ídolos e levar aos nativos as dádivas da civilização.”

O sonho acabou, quando o padre contou sua confissão a seus pais, Rudolf tinha empurrado um colega de escola. A partir desse momento, ele ficou ressentido com a Igreja e com Deus.

Em 1915, entrou no exército decidido a fazer carreira de oficial como seu pai.

Lutou na frente turca, na Palestina e mata a sangue frio um soldado do Exército Indiano, um hindu, como ele diz: “Meu primeiro morto, rompi o círculo mágico”.

Convicto de pertencer à uma “raça superior” viu a derrota da Alemanha, como uma extrema humilhação, assim como o Tratado de Versalhes.

Como oficial da SS foi transferido para o campo de concentração de Sachsenhausen, onde ele se confronta com as Testemunhas de Jeová.

Höss se deliciava ao ver as vítimas cantando diante dos pelotões de fuzilamento.  Rudolf ficava imaginando os primeiros cristãos sendo comidos por leões nas arenas do Império Romano.

Em Auschwitz, um dia chegou um prisioneiro político, que se dizia “príncipe da Romênia”. Segundo os nazistas, o rapaz era masturbador, fetichista e estava inteiramente tatuado com desenhos pornográficos.

Höss arrebatado pelo voyerismo começa a espionar o prisioneiro trocando de roupa e “fazendo outras coisas”.

O comandante do campo começa a destinar o príncipe para os piores trabalhos possíveis, até que ele falece.

A consideração de Rudolf: “era uma benção do céu para ela (mãe do rapaz) e para ele próprio. Ele se tornara intolerável em toda parte em função de sua vida sexual desregrada.”

Höss omitiu dos Aliados o caso que ele teve com uma prisioneira política alemã, depois ele tentou assassiná-la grávida.

Morando em uma casa próxima a Auschwitz, ele e sua família não se incomodavam com o cheiro de carne queimada, que saía pelas chaminés. Sua esposa nunca compreendeu, ou nunca quis compreender, a natureza do trabalho do marido.

Rudolf Höss no dia da sua execução.

Enquanto trabalhava na Solução Final zelava para dar uma “boa educação” aos filhos, cercando-os de patos e cobras.

Imerso na banalidade do mal, impregnado por uma incrível estupidez e idolatrando um “Führer”, segundo Roudinesco em outro contexto, Höss poderia ter se tornado um traficante de drogas, pedófilo ou estuprador.

Estava nítido que ele não sentia nenhuma empatia por ninguém, nem por si mesmo, era um perverso.

Höss foi posteriormente acusado e condenado de perpetrar diversos crimes de guerra. Entre suas atrocidades mais conhecidas estão os testes, que ele supervisionou, da introdução do pesticida Zyklon B, para acelerar o processo de matança dos prisioneiros.

Em 25 de maio de 1946, Rudolf  foi entregue às autoridades polonesas e para o Supremo Tribunal Nacional. Seu julgamento por lá durou de 11 a 29 de março de 1947. Em 2 de abril sentenciado à morte por enforcamento.

 A sentença foi executada no dia 16 de abril de 1947, na entrada do que outrora fora o crematório do campo de concentração e extermínio de Auschwitz I.

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